A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 17/11/2021

Em outubro de 2021, foi registrada, por meio de vídeos publicados no site do “G1”, uma família que buscava por comida em um caminhão de lixo. De maneira lastimável, cenas como essa são comuns em um contexto de fome em tempos de pandemia. Isso ocorre devido ao desemprego e à falta de empatia com o próximo. Assim, é imprescindível a adoção de medidas nos âmbitos governamental e social para que seja possível intervir no atual panorama.

Precipuamente, aborda-se a relação entre o desemprego e a questão da fome durante pandemias. Para tal, cabe considerar que, de acordo com o economista Adam Smith, a busca pelo lucro é um dos preceitos do capitalismo, sistema econômico vigente no Brasil. Sob esse prisma, quando ocorre uma crise de saúde, ao notarem que haverá um declínio no consumo devido às medidas de restrição adotadas pelo Estado, os empregadores deixam de contratar funcionários para reduzir os gastos. Consequentemente, cresce o número de indivíduos que não recebem salário, fato que, atrelado ao aumento do preço dos produtos, dificulta a compra de alimentos por brasileiros. Logo, a redução das ofertas de emprego durante a pandemia é uma das causas da fome.

Ademais, a apatia é um agravante da problemática. Nesse sentido, analisa-se o filósofo Zygmunt Bauman, que explicava que, na modernidade, a sociedade tornou-se extremamente individualista. Sendo assim, ao deparar-se com a situação de fome enfrentada durante a pandemia, o brasileiro, muitas vezes, não se compadece com o outro. Com isso, ele não procura maneiras de ajudar aquele que precisa, por meio de, por exemplo, projetos de distribuição de alimentos. Então, inseridos em um contexto de relações sociais fluidas que destacam o egoísmo do homem, o qual foi agravado pela pandemia, aqueles que passam fome não recebem ajuda popular.

Depreende-se, portanto, a questão da fome em tempos de pandemia como uma problemática a ser superada. Nesse contexto, compete ao Governo Federal ampliar o valor do “auxílio emergencial” concedido aos que necessitam, facilitando o acesso destes aos mantimentos. Além disso, é dever da sociedade, como organização que demanda a colabaração de todos os cidadãos para o seu correto funcionamento, ajudar aqueles em situação de fome. Isso seria realizado por meio da elaboração de projetos que distribuam alimentos, visando reduzir o percentual populacional nessa situação. Dessarte, famílias deixariam de submeter-se à humilhação de procurar alimentos em caminhões de lixo, obtendo uma vida mais digna.