A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 17/11/2021
No filme “MadMax” é retratado um mundo futurista ao qual recursos alimentícios e hídricos são escassos e apenas disponíveis à uma seleta elite, que utiliza de seu poder para controlar e manipular a população. Infelizmente, analogamente à ficção, brasileiros vivem uma situação de insegurança alimentar sem precendentes, a fome é uma realidade para 19 milhões de brasileiros segundo dados do IBGE (Instituto Brasileito de Geografia e Estatística). A causa do aumento deste quadro é a instabilidade econômica do país devido a repercussão da pandemia de Sarcov-2 e o capitalismo predatório que marginaliza e desvaloriza pessoas sem poder de compra, tirando-lhes sua dignidade.
O vírus Sarcov-2 trouxe além de letalidade, muitas alterações no modo de interação econômico do país. As medidas sanitárias para conter seu avanço contavam com o afastamento social, fechamento de lugares com aglomerações e uso de equipamentos de proteção individual, isto fez com que muitas empresas parassem sua produção e/ou até mesmo abrissem falência. Esse cenário reverberou em uma menor quantidade de produtos ao mercado e como consequência de uma demanda maior que a produção houve o aumento da inflação. A inflação tira o poder de compra de alimentos da população, e o quadro se agrava mais, quando refleti-se que houve também o aumento do desemprego.
Ademais, independentemente do quadro pandêmico, é possível inferir que o problema da insegurança alimentar não estava apenas no campo da capacidade produtiva, já que em dados númericos a produção agricola supera a demanda humana, entretanto a distribuição de alimentos é desigual. No sistema capitalista o objetivo alvo é o lucro, ou seja, a dignidade humana do direito à alimentação fica em segundo plano. O indíviduo que não tem recurso monetário para comprar, perde seu valor perante a sociedade, por isso, há poucas iniciativas que busquem uma solução efetiva e a longo prazo para a insegurança alimentar no Brasil. Programas como o “Bom Prato” , são medidas de curto prazo e que de fato não se mostram efetivas, se uma pessoa precisa ficar em uma fila o dia todo para um prato de comida.
Portanto, cabe ao Estado, criar empresas nacionais para a produção e distribuição de alimentos para a população em situação de insegurança alimentar, por meio destas empregas também será possível a criação de empregos e renda o que irá aumentar o poder aquisitivo da população envolvida. O modo de distribuição destas empresas será onde o cenário de fome for mais intenso, estabelecendo prioridade de acordo com os dados do IBGE. Espera-se com esse projeto mitigar o fatídico cenário de fome no Brasil, e garantir o direito a segurança alimentar dos brasileiros.