A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 16/09/2021

No documentário brasileiro denominado “Ilha das Flores”, é retratada a realidade de diversas famílias que convivem diariamente com a instabilidade alimentar, tendo a necessidade de tomar atitudes desesperadas para sobreviverem, como comer os restos alimentares dos porcos que vivem no lixão. Não distante da realidade hodierna brasileira, grande parcela da população enfrenta os desafios da questão da fome em tempos de pandemia. Nesse sentido, as altas taxas de desemprego em decorrência da crise mundial de saúde e a ausência de políticas públicas eficazes colaboram para a persistência da problemática.

Convém ressaltar, a princípio, o aumento das taxas de desemprego como um dos fatores que corroboram para a permanência do problema. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 14 milhões de brasileiros encontram-se desempregados atualmente. Nesse contexto, nota-se que com a crise mundial de saúde em decorrência do coronavírus, a oferta de empregos  diminuiu, ocasionando assim o agravamento da fome no Brasil, uma vez que com os recursos financeiros limitados, diversas famílias não possuem condições de adquirirem elementos básicos para a sobrevivência, como comida. Dessa forma, torna-se cada vez mais latente o problema da instabilidade alimentar nos lares brasileiros.

Outro ponto relevante nessa temática é a ausência de políticas públicas governamentais eficazes. Segundo dados de um levantamento realizado pela Universidade Livre de Berlim, cerca de 59% da população brasileira encontra-se em situação de instabilidade alimentar durante a pandemia. Nesse sentido, nota-se uma lacuna no dever social do Estado de prover as condições necessárias para que todos possuam acesso a uma alimentação constante e de qualidade. Dessa maneira, percebe-se que as políticas públicas implementadas atualmente pelo governo tornam-se ineficazes já que não possuem o alcance necessário para solução do problemática.

Portanto, faz-se necessária uma intervenção no que tange ao aumento do desemprego. Assim, o Ministério do Trabalho, em conjunto com ONGs especializadas, deve desenvolver ações que visem a propor uma solução para o problema. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais por meio de campanhas publicitárias que forneçam benefícios e vantagens para as empresas que gerarem novos empregos. É possível, também, a criação de uma “hashtag” para dar visibilidade a campanha, a fim de mitigar os problemas provocados pelo desemprego. Ademais, o Governo Federal, como órgão máximo responsável, deve desenvolver ações que forneçam cestas básicas para os cidadãos em instabilidade alimentar. Assim, será possível construir um país que se afaste da realidade vista na “Ilha das Flores”.