A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 15/09/2021

São Tomás de Aquino defendia que todas as pessoas devem ser tratadas com a mesma importância. No entanto, a questão da fome em ano pandêmico contraria o ponto de vista do filósofo, uma vez que, no Brasil, por exemplo, alguns grupos sociais ainda são vítimas da insegurança alimentar. Nesse sentido, em razão da negligência governamental e da falta de investimento, emerge um problema complexo.

Convém ressaltar, a princípio, que a omissão estatal mostra-se como um desafio à mitigação desta mazela social. Segundo Thomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos, a aplicação das leis é mais importante que sua elaboração. Contudo, percebe-se que, apesar do direito ao alimento ser um direito constitucional e da existência de políticas de assistência social neste quesito, o desamparo do Estado favorece o aumento da população que sofre com a insegurança alimentar, principalmente em tempos de crise global. Desse modo, vê-se que mudanças drásticas são vitais para a atenuação do impasse.

Além disso, outro ponto relevante, nessa temática, é a falta de investimento. Sabe-se que a base de uma sociedade capitalista é o capital, como explicam filósofos como Karl Marx. Sob essa lógica, para que sejam resolvidos os problemas dentro desse contexto, faz-se necessário investimento financeiro. Entretanto, há uma lacuna de investimento e de atenção no tema da desigualdade de acesso digno e pleno a alimentos, consequência direta da desigualdade de renda inerente ao modelo capitalista, que, em período de pandemia, tende a piorar esse acesso, ora pela redução de salários, ora pelo aumento do desemprego. Assim, trazer à pauta esse ponto e discuti-lo aplamente aumentaria a chance de atuação nele.

Logo, medidas estratégicas são essenciais para alterar a conjuntura atual. Para isso, o Governo Federal, aliado aos governos estaduais, deve garantir a aplicação das políticas públicas de amparo social já existentes, por meio da criação de comissões especializadas, a fim de minimizar os efeitos da fome, agravados em ano pandêmico. Tal ação será acompanhada da cobrança de grandes empresas a doarem 0,5% do lucro líquido anual a organizações de caridade, para que invistam esse dinheiro na elaboração e na distribuição de quentinhas. Feito isso, será possível testemunhar a construção de um Brasil melhor.