A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 15/09/2021
Conhecida como “Cidadã”, a Constituição Federativa do Brasil foi promulgada em 1988, com a promessa de assegurar os direitos básicos das pessoas, como o direito à alimentação e ao bem-estar, itens expressos no artigo sexto da carta magna. Contudo, é evidente que ela falha em alguns aspectos, pois a questão da fome em tempos de pandemia é uma problemática amplamente discutida. Portanto, algo precisa ser feito para amenizar o entrave, que possui diversas causas, como a interferência da epidemia na indústria alimentícia e a negligência estatal.
Em primeiro plano, vale ressaltar que a intervenção da epidemia na indústria de alimentos é um dos fatores que alavancam a questão da fome em tempos pandêmicos. Sobre isso, durante a década de 1910, diversas fabricas produtoras de alimentos diminuiram a produção de forma expressiva, devido ao surto de gripe espanhola na época, o que elevou significamente o número de pessoas que passavam fome naquele período. Sendo assim, é notório que a industria alimenticia é intensamente afetada com epidemias, visto que o elevado número de mortes e o medo dos trabalhadores, acabam diminuindo a produção e o comércio de seus produtos e, consequentemente, o preço de alimentos aumenta consideravelmente, com o intuito de gerar algum lucro para os empresários. Com isso, a população é duramente afetada, pois fica impossibilitada de obter mantimentos básicos, devido ao custo elevado.
Ademais, outro fator que potencializa as questões relacionadas a fome durante a pandemia, é a negligência estatal. Nesse cenário, no segundo semestre de 2020, o governo federal brasileiro criou o auxílio emergencial, benefício destinado as famílias carentes, com o intuito de auxilia-las na obtenção de alimento e mantimentos básicos de higiene durante a epidemia. Entretanto, é visível que tal ação é pífia em relação ao cenário gerado pela pandemia, pois os benefícios oferecidos pelo programa em questão são insuficientes em comparação as reais necessidades da população perante crises como a gerada pela “COVID-19”, em que medidas rápidas e eficazes devem ser tomadas para proporcionar aos indivíduos condições de vida ideais.
Fica evidente, então, que a interferência da pandemia na indústria de alimentos e a negligência estatal são fatores que agravam a questão da fome durante a epidemia. Logo, cabe ao Estado, com o auxílio das indústrias alimentícias, criar campanhas massivas de arrecadação e distribuição de alimentos, e por meio de redes sociais, a exemplo de Twitter, tal ação seria difundida, visando proporcionar as famílias prejudicadas pela pandemia, o direito à alimentação e melhores condições de vida, como é previsto e assegurado pela constituição federal. Com isso, uma melhoria social será possível, pois conforme Zygmunt Bauman, “Não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas”.