A qualidade da água no Brasil
Enviada em 30/11/2020
Em 1682, as riquezas hídricas brasileiras eram extremamente sagradas para os nativos que Bartolomeu Bueno da Silva - O “Diabo Velho” - se aproveitou de tal fato e explorou os indígenas através da ameaça de atear fogo nos rios (usou aguardente para enganá-los). Analogamente, nota-se a regressão da sociedade brasileira, visto que a degradação da água é um processo “normalizado” tanto por corporações privadas quando pelo corpo civil, o que é extremamente grave.
Em primeiro plano, cabe ressaltar o descaso de indústrias Nacionais no que tange produzir e, ao mesmo tempo, preservar as reservas hídricas. Nesse contexto, onde o importante é o lucro, o uso da água vai além de suas possibilidades. Por esse prisma, a companhia do Vale do Rio Doce foi responsável por dois deslizamentos de barragens, em Brumadinho e Mariana, o que gerou centenas de mortes e prejuízos principalmente à população mais carente. Assim, a obra “Vidas Secas” de Graciliano Ramos retrata o sofrimento de uma família sem condições financeiras que em determinado momento necessita beber da água mais insalubridade do Nordeste por não ter acesso a água potável.
Paralelo a isso, é necessário frisar que os recursos hídricos são considerados Patrimônios Públicos e por isso, é dever da comunidade em conjunto com o Estado conservar esse bem. Entretanto, a falta de interesse do povo é absurdamente ignorante em relação a isto, fato comprovado pela poluição do rio Tietê, em São Paulo, que já recebeu mais de 2,7 bilhões de dólares para o projeto de despoluição, contudo, o objetivo está muito longe de ser alcançado. Por isso, sem a aliança cidadã e governamental tal cenário nunca irá mudar.
Destarte, para melhorar a qualidade da água no Brasil, urge que o Governo Federal cobre altas indenizações das empresas que degradarem, não somente os rios mas todo meio ambiente, por meio da suspensão de isenções fiscais. Ademais, o corpo social deve se unir às Secretarias Municipais de Meio Ambiente em projetos que visem a preservação das águas e o seu reúso. Logo, pessoas como Fabiano - personagem de Vidas Secas - poderão ter o acesso a um bem próprio para o consumo humano.