A qualidade da água no Brasil

Enviada em 23/11/2020

O filósofo Tales de Mileto disse “A água é vida e princípio de vida, todas as coisas dela provêm e a ela voltam” para apresentar sua tese de que a Terra repousava sobre a água. Mesmo que cientificamente equivocado, as palavras do filósofo ainda carregam veracidade, visto que a água potável é essencial para a sobrevivência de inúmeros seres vivos. No entanto, até mesmo no Brasil - hospedeiro da maior bacia hidrográfica do mundo, a Amazônica - é possível perceber certo descuido para com esse recurso vital, seja por má gestão do esgoto ou pela expansão do desmatamento para fins agrícolas.

Primeiramente, é notório que a falta de saneamento básico afeta a distribuição de água potável no país. Segundo o Sistema Nacional de Informações (SNI) sobre o saneamento básico, apenas 13% dos esgotos gerados são coletados na região norte, e, segundo reportagem do jornal Em Tempo, essa ausência de manuseamento adequado dos esgotos resulta na poluição de rios no Amazonas. Como resultado, muitas famílias perdem o direito de acesso a água que é imprescindível para a sobrevivência.

Por conseguinte, é importante reconhecer que o desflorestamento e a expansão agrícola são fatores de risco para a oferta de água. De acordo com um relatório produzido pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES) em 2018, o desmatamento compromete o ciclo hídrico das florestas e provocam mudanças do uso do solo, o que modifica a dinâmica dos rios. Como consequência, grande parte do recurso hídrico do Brasil se torna inapropriado para uso.

Dessarte, é mister a ação do governo para a possível resolução do problema. Visando amenizar a poluição nos leitos dos rios e, consequentemente, melhorar a qualidade da água, urge que o Estado invista, por meio de verbas governamentais, no aprimoramento das Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) e que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) fortifique a fiscalização de desmatamentos ilegais, punindo os infratores de acordo com o que condiz na Constituição Federal. Só assim será possível a construção de um país mais limpo e, ademais, com condições de prover, de forma igualitária e para toda a população, o recurso que é tão importante para a continuidade da vida: a água.