A qualidade da água no Brasil
Enviada em 06/02/2020
A recente crise de abastecimento de água no Estado do Rio de Janeiro faz com que sejam colocados holofotes sobre a qualidade das águas do país. Apesar do Brasil ser um dos maiores possuidores de água potável do mundo, segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, menos de 10% dos rios monitorados apresentam boa qualidade. Isso se deve a duas causas principais: falta de saneamento básico e expansão desordenada da agroindústria.
De início, vale ressaltar que a falta de sanamento básico compromete grandemente a qualidade das águas dos rios e lençóis freáticos brasileiros. De acordo com o IBGE, em 2019, o número de residências sem acesso à rede de esgoto era superior a 70 milhões. Esse fato, junto às pesquisas que comprovam a presença muito elevada de coliformes fecais, torna evidente que grande parte da poluição encontrada nos rios é oriunda dos dejetos humanos despejados sem tratamento adequado nos afluentes.
Além disso, o pacote de “flexibilização” das leis ambientais implementado em 2019, contribui para o agravamento do problema, pois sem fiscalização e com uma maior gama de agrotóxicos disponíveis, a contaminação do solo e da água é potencializada. Ademais, a falta de controle das terras da União faz com que a grilagem seja incentivada, aumentando ainda mais a fronteira agrícola. Assim, é criada uma espiral de destruição ambiental, prejudicando sobremaneira a qualidade da água disponível.
A minoração dessa problemática passa, portando, pela melhoria e extensão do serviço de saneamento básico e pela aplicação de leis ambientais mais rígidas à agroindústria. Para tanto, o Governo Federal deve lançar programa que financie a fundo perdido municípios sem tratamento de esgoto adequado e em situação fiscal debilitada. Do mesmo modo, deve ser implementada lei que torne o criminoso ambiental responsável pela reparação do dano causado e pelos custos das equipes de fiscalização empregadas. Dessarte, haverá melhora das águas do país.