A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 06/12/2020

É notório que a televisão surgiu para democratizar informações à população, no entanto, a partir do período varguista, ela virou palco do entretenimento. Essa tentativa desenfreada de entreter o telespectador brasileiro afetou um espaço que deveria agir com imparcialidade e honrar a veracidade dos fatos, o jornal. À vista disso, atualmente o sensacionalismo no jornalismo é um dos maiores problema que o Brasil enfrenta. Dessa forma, se faz imprescindível analisar a principal estratégia desse viés editorial e seu sistema de clientelismo.

Em princípio, o jornalismo que possui forte presença do sensacionalismo utiliza a hipérbole como estratégia para aumentar a audiência. Essa figura da linguagem, caracterizada pelo exagero proposital no ato de se expressar, impacta a opinião publica de modo a atrair o interesse do internauta com um jornal mais espetacularizado. Para cumprir tal objetivo o programa pode utilizar, por exemplo, manchetes diferenciadas e músicas melancólicas, tudo dependendo do assunto e do efeito que o programa quer transmitir. Logo, nota-se que esse programa gradativamente deixa de ter um caráter informacional para assumir um modelo que preze pelo entretenimento.

Ademais, o clientelismo presente nas emissoras frente às normas éticas é uma grande problemática. Segundo o sociólogo Walter Benjamin, o homem pós-moderno enfrenta o empobrecimento das experiências, em outras palavras, ele está perdendo a capacidade de ser efetivamente tocado pelas situações experienciadas. Sob essa ótica, percebe-se que o telejornal tem se utilizado dessa carência experimental como ´´marketing``, visto que ele oferece, implicitamente, ao telespectador uma oportunidade de ser tocado emocionalmente – utilizando o sensacionalismo- e em troca esse indivíduo oferece audiência. Todavia, esse cenário é grave porque muita das vezes contraria os deveres e a ética do jornalista. Desse modo, infere-se que o comportamento clientelista precisa ser combatido.

Dessa maneira, conclui-se que a presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro é um problema que precisa ser enfrentado. A fim disso, é necessário que o Poder Executivo invista em mecanismos que fiscalizem as abordagens dos telejornais. Isso pode ser feito por meio da criação de um portal de denúncias anônimas- semelhante ao que existe no Facebook- pois mesmo que esse viés editorial não seja um crime, ele pode incentivar ações que são como as notícias falsas e as perseguições políticas. Posto isso, será possível que o telespectador denuncie conteúdos inadequados, de acordo com as normas nacionais, e consequentemente combata as praticas clientelistas na televisão.