A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 02/10/2020
Na obra “Utopia”, escrita por Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas e conflitos. Porém, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro apresenta barreiras, que dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da ausência dos limites éticos do profissional, quanto à perseguição implacável da imprensa pela audiência. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Primeiramente, é crucial pontuar que o sensacionalismo no jornalismo brasileiro deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que caibam tais recorrências. Segundo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Desse modo, é importante apontar que, de acordo com o Art. 14° inciso III do Código de Ética dos Jornalistas brasileiros, o profissional deve tratar com respeito todas as pessoas mencionadas nas informações que for divulgar e ouvir sempre antes da divulgação dos fatos, para que não haja risco de falsas informações, porém, alguns jornalistas tentam obter informação de qualquer maneira, sem que se tenha a menor preocupação com os envolvidos. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar a perseguição da imprensa pela audiência como promotor do problema. Partindo desse pressuposto, convém ressaltar, que por serem influenciadoras e fomentadoras de opinião, os meios de comunicação devem operar de forma imparcial. Todavia, algumas emissoras, ainda que de forma sutil, “especulam” reportagens com o intuito de prender a atenção do telespectador. Dessa forma, notícias são divulgadas de maneira equivocada e sem relação com o contexto social.
Portanto, medidas são necessárias para conter o avanço desse problema na sociedade brasileira. Desse modo, com o intuito de mitigar o sensacionalismo no jornalismo brasileiro, necessita-se que o Ministério da Justiça deve realizar medidas cabíveis contra repórteres sensacionalistas por meio de suspensões, ao menos temporárias, de diplomas e do exercício da profissão a fim de impedir que outros jornalistas ajam de tal maneira. Igualmente, cabe aos parlamentares, por meio de aprovação em Congresso Nacional, criar leis efetivas que fiscalize os jornais do país e retire de circulação matérias com conteúdo sensacionalista, com a finalidade de formar uma nação livre desse estigma. Desse modo, atenuar-se-á o impacto nocivo do sensacionalismo e a coletividade alcançará a Utopia de More.