A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 02/10/2020

A Revolução Técnico-Científico-Informacional, iniciada na segunda metade do século XX, inaugurou inúmeros avanços no que tange à comunicação e suas possibilidades. No entanto, o aprofundamento desses horizontes em um mundo cada vez mais conectado e condicionado pelas relações de capital, desencadeou a criação de condições para a difusão de notícias sensacionalistas no Brasil que, embora verídicas, exprimem um juízo de valor prejudicial à informação. Nesse sentido, convém avaliar os fatores que permeiam esse cenário e as suas perspectivas.

Em primeiro lugar, é importante salientar a lógica de produção capitalista no que se refere à produção do noticiário diário no Brasil. Segundo Antonio Gramsci - filósofo marxista italiano - a conquista da hegemonia do capital passa pela prévia dominação ideológica que, por sua vez, utiliza-se de recursos como a comunicação de massa para propagação de narrativas que contribuem para a sustentação de privilégios. Seguindo essa linha de pensamento, ao se observar a transmissão da informação por alguns telejornais diários da televisão brasileira, verifica-se que o sensacionalismo, além de mero intuito recreativo, visa a manutenção de um senso comum alinhado aos interesses daqueles que já detém o monopólio influência. Assim, a difusão de reportagens policiais que espetaculiza a violência, muitas vezes apresentadas por personagens caricatos, tem um intuito claro de dominação, uma vez que corrobora para uma noção rasa e maniqueísta da realidade que cria heróis e vilões com base na compreensão particular de setores elitizados da sociedade.

Além disso, destaca-se o aspecto lucrativo da indústria sensacionalista e a sua difícil punição como fatores de tonificação da problemática. Sensacionalismo é uma prática que tem a finalidade de aumentar a audiência através de imagens chocantes e apelos emotivos, pois o engajamento atrai investimentos de empresas que visam expandir seu alcance. Apesar de legítima, tal prática gera a necessidade dos noticiários diários em criar situações que se aproximam da realidade popular o que reflete diretamente na representação de cenários caóticos de forma novelesca, ferindo, por vezes, a dignidade e a privacidade dos envolvidos no ocorrido.

É evidente, portanto, que embora fundamental para a informação pública nos dias atuais, a Revolução Técnico-Científico-Informacional, incorporou características da lógica de mercado, sendo necessário o desenvolvimento de uma consciência popular para inibir a penetração do sensacionalismo na sociedade brasileira. O Ministério da Cidadania, por isso, deve aliar-se aos meios de comunicação mais tradicionais e criar mecanismos de interação momentânea com o telespectador que, através de hashtags, poderá tirar dúvidas e denunciar casos que ficaram evidentes durante o dia a dia.