A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 02/10/2020

Sobre a sociedade, o filósofo Guy Debord foi expressivo em criticar o sensacionalismo dos meios de comunicação ao apontar que esse contribui para o debate público e desgasta o ambiente democrático. Nesse sentido, o cenário brasileiro estabelece tal dinâmica alienante, devido ao oligopólio de empresas de jornalismo e à falta de um ensino público pautado no pensamento crítico. Então, mostra-se necessário analisar esse quadro e, a partir disso, promover possíveis soluções para esses impasses.

Em primeira análise, a ênfase na desconstrução dos grandes conglomerados de informação implica em extinguir dominações ideológicas baseadas em conteúdos sensacionalistas. De acordo com o sociólogo Slavoj Zizek, a globalização permeou novas formas de manipulação no espaço digital, de modo a centralizar as notícias do cotidiano, matérias de reportagem e estudos de eventos históricos em poucas empresas. Em outras palavras, ao invés de pluralizar e democratizar o jornalismo profissional, essa dominância de grupos de amplo alcance usufrui do sensacionalismo para influenciar o debate e a opinião pública a favor dos próprios benefícios.

Ademais, é importante ressaltar a inviabilidade do cidadão brasileiro em reconhecer tais artifícios e possuir uma postura mais reflexiva e indagadora a respeito das informações que lhe são fornecidas. Isso se evidencia nos estudos sobre pedagogia feitos por Paulo Freire, educador e filósofo brasileiro: cada vez que as escolas se mostram defasadas ao não orientarem sua abordagem por condutas e regras de como lidar com informações, novos indivíduos são formados sem uma verdadeira autonomia construída pela educação. Posto que é necessário adequar o ambiente de ensino à realidade do aluno, o pleno aprendizado de um conhecimento crítico somente se inicia com a modernização das instituições.

Evidencia-se, portanto, que o governo federal, em colaboração com o Ministério da Economia, deve aprimorar o Código de Ética dos Jornalistas, formulando um projeto legislativo a ser apresentado que garanta a proteção do Banco Central aos jornais locais. Além disso, através de orçamentos maiores, direcionar investimentos na infraestrutura e no corpo profissional das escolas, de forma com que as equipe com aparelhos digitais e novos tratamentos didáticos. Dessa maneira, ao promover políticas públicas com a responsabilidade social, é pensada uma sociedade diferente daquela analisada por Guy Debord, em busca de sua integralidade democrática ameaçada pela presença do sensacionalismo.