A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 07/10/2020

O programa “Cidade alerta’, transmitido ao vivo pela emissora Record e apresentado por Luiz Bacci, estava acompanhando o processo de busca de uma jovem desaparecida a dias. Com o desfecho da atividade de procura e com a possível informação do que havia acontecido, jornalistas entraram em contato com a mãe da desaparecida por chamada de vídeo e, após grande mistério promovido pelo apresentador e exteriorização do sofrimento da mãe da vítima, é anunciada a morte da filha ao vivo. Hodiernamente, a presença de abordagens insensíveis, apelações emotivas e polêmicas no jornalismo brasileiro são recorrentes. Nesse sentido, o sensacionalismo, tática utilizada pelas instituições midiáticas, é sustentado pela busca incansável por audiência, alta confiabilidade dos telespectadores frente ao conteúdo assistido e, consequentemente, fortalecimento de uma sociedade do espetáculo.

Primeiramente, vale ressaltar que, segundo o cineasta John Ford, quando a lenda é mais interessante que a realidade, imprima-se a lenda. Nesse contexto, conglomerados empresariais de comunicação social em massa recorrem a um jornalismo subjetivo, parcial e com fatos distorcidos para atar os ouvintes, por intermédio de sensações que chocam o psicológico humano. Assim, buscam ferramentas que intensifiquem o impacto causado, como o sensacionalismo, a fim de aumentar a quantidade de telespectadores, daí elevar o preço de seus espaços de anúncios e, finalmente, elevar seus lucros. Dessa forma, tais instituições influenciam comportamentos, agem politicamente com o intuito de defender seus próprios interesses e pouco se importam com o pressuposto do exercício do jornalismo que implica compromisso com a responsabilidade social inerente à profissão.

Outrossim, é necessário evidenciar que, segundo a pesquisa feita na universidade Oxford - Inglaterra, somente 40% dos brasileiros entrevistados não confiam nas notícias veiculadas pelas empresas de comunicação, a fim de se informar. Nesse modo, tal pesquisa aponta que uma parcela significativa da população brasileira é afetada por táticas nocivas as quais são introduzidas nos noticiários pelos jornalistas. Por consequência, normaliza situações conturbadas e estimula a atração a morbidade. Contextualmente, fomenta uma relação social mediada por imagens caóticas na sociedade brasileira, relação a qual é representada no livro: “Sociedade do espetáculo " do escritor Guy Debord.

Em suma, para que o jornalismo brasileiro se torne, de fato, uma prática social focada na cidadania e no direito à informação, cabe à Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) fiscalizar os veículos de imprensa com base no código de ética dos jornalistas brasileiros, por meio de denúncias feitas por pessoas que, de alguma forma, se sentiram desrespeitadas perante a uma ação jornalística. Assim, tal atitude teria como finalidade evitar as consequências do sensacionalismo e punir os responsáveis.