A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 18/09/2020

Em sua obra “O princípio responsabilidade”, o filósofo Hans Jonas defende que a ação humana deve ser dotada de uma consciência individual e coletiva, além de considerar os efeitos a curto e longo prazo. Entretanto, nota-se que, no âmbito jornalístico brasileiro, em grande parte dos casos, tal reflexão não é feita, visto que os veículos de comunicação em massa transmitem notícias sensacionalistas com o fito de atingir uma maior audiência, realidade essa que desencadeia mudanças comportamentais preocupantes. Diante disso, o aumento da violência e a manipulação da população são reflexos da problemática.

É importante ressaltar, em primeiro plano, o crescimento da agressividade dos brasileiros. O filme “Ares” evidencia que a frequente espetacularização de atitudes agressivas pelos meios de transmissão de informação incita a violência na sociedade. Nesse sentido, constata-se a extrema influência do jornalismo na conduta dos indivíduos, haja vista a sua alta capacidade de persuasão aliada ao seu grande alcance populacional. Desse modo, a naturalização de atos truculentos instaura um ambiente inseguro, o que reduz a qualidade de vida da população devido ao temor do perigo constante.

Ademais, vale destacar o poder de manipulação dos canais de comunicação. Durante o Estado Novo, período autoritário do governo de Getúlio Vargas, o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) atuou na propagação de informações que enalteciam a administração de Vargas, com a finalidade de conquistar o apoio popular. Sob essa ótica, o jornalismo brasileiro age da mesma forma ao divulgar informações dotadas de opiniões pessoais, o que induz o interlocutor a aderir determinado posicionamento. Dessa maneira, sem que perceba, o receptor da mensagem é manipulado, cenário esse que fere a sua individualidade e descumpre a neutralidade exigida nessa profissão.

Portanto, é imprescindível a adoção de medidas a fim de mitigar o quadro atual. Para tanto, com o objetivo de proteger os cidadãos brasileiros, cabe ao Poder Legislativo, por meio da criação de uma lei, regulamentar a mídia. Para a concretização de tal ação, profissionais da área de Ciências Humanas - especialmente os de Sociologia - devem ser consultados, para garantir que as notícias não desrespeitem nenhum grupo social, além de assegurar a integridade intelectual e moral das pessoas. Assim, o jornalismo brasileiro seguirá o princípio responsabilidade proposto por Hans Jonas.