A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 20/09/2020
O problema do sensacionalismo no jornalismo brasileiro não é recente. Esta prática é vigente desde o início do uso da imprensa como forma de manipulação de massas, como nos governos de Vargas e dos militares, que detinham seu controle. O sensacionalismo era uma forma de perseguir os opositores do governo, e de colocar a população contra certos políticos. Assim, haja vista os impactos já obtidos, faz-se imperiosa a análise desta conjuntura, visto que é fruto da falta de conhecimento popular e do monopólio dos veículos de informação.
Preliminarmente, verifica-se que, no Brasil, a falta de pensamento crítico representa um problema. De acordo com o filósofo Émile Durkheim: ‘‘O indivíduo só poderá agir no momento em que aprender a conhecer o ambiente em que está inserido, e não poderá sabê-lo sem ir a escola.’’ Sob esta ótica, é lógico afirmar que há um grande desconhecimento de grande parte dos brasileiros, visto que o ensino no país é atrasado, tornando uma grande parcela passível da propagação das notícias falsas.
Outrossim, vale ressaltar que a concentração de poder em alguns veículos de informação contribui para uma piora do quadro atual. Desta forma, ocorre a manipulação das notícias, que são disseminadas com o intuito de atender aos interesses de seus autores. Paralelamente, emerge a frase do filósofo Mário Sérgio Cortella: ‘‘A concordância nos deixa estacionados, a discordância promove nosso crescimento.’’ Assim, infere-se que esta visão unilateral promovida pelo monopólio da imprensa ocasiona em um déficit da capacidade de distinção das informações recebidas pelas pessoas.
Depreende-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para solucionar o impasse. Isto pode ser feito através do estímulo ao pensamento crítico e da criação de leis que possam conter esta atividade. Para tais medidas, urge que o Ministério da Educação incentive, desde o ensino fundamental, a reflexão social dos estudantes, por meio de debates e discussões em sala de aula. Além disso, compete ao Poder Legislativo que elabore leis que proibam a propagação de notícias falsas e sem credibilidade. Como efeito social, haveria uma maior confiança no jornalismo nacional.