A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 11/09/2020
A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro
“Muitas vezes, ao relatar um crime, a mídia não se preocupa em passar a informação, mas sim em criá-la” afirma a criminóloga Bel Rodrigues. Indubitavelmente, os meios de comunicação são as principais fontes de atualização sobre o que acontece no mundo, e contam com a confiança de pelo menos 60% dos brasileiros, de acordo com a pesquisa do Instituto Reuters. Para manter a audiência em alta, é notável o apelo da mídia ao noticiar principalmente situações chocantes e sangrentas. O problema é que esse sensacionalismo escancarado atrapalha a polícia e dificulta ainda mais o andamento de investigações, além de colocar a vítima em perigo.
Primeiramente, discute-se como a conduta da imprensa influencia aspectos cruciais na resolução de um caso. Com um fluxo muito grande de pessoas entrando e saindo da cena de crime, as evidências correm um alto risco de serem contaminadas, o que resulta na inviabilização de qualquer progresso na investigação. Fato que acontece na obra literária “Fissura” de Karin Slaughter, onde vários repórteres invadem o local para conseguirem fotos detalhadas do crime, e com isso, os detetives do Estado demoram muito mais tempo para encontrar a vítima sequestrada pois muitas pistas que tiveram que ser descartadas.
Em segunda análise, é de extrema importância que a imprensa se conscientize sobre os perigos gerados ao divulgar detalhes de uma busca criminal em andamento. Nada impede o criminoso de assistir televisão e saber exatamente o que está acontecendo, e com isso cria-se uma possibilidade de fuga, ou até mesmo de piora da situação, já que jornalistas não devem fazer o papel de policiais. Infelizmente, isso é o que aconteceu no caso de Eloá, em 2008. De acordo com o vídeo informativo de Jaqueline Guerreiro disponível no Youtube, a menina foi mantida refém dentro da própria casa pelo namorado por dias, e o sequestro foi transmitido ao vivo na televisão juntamente com entrevistas ao criminoso, que no final, acabou por matar a vítima.
Desse modo, torna-se evidente a necessidade de uma intervenção por meio do Congresso Nacional, que deve criar uma lei rígida que proíba interferências da imprensa em investigações em andamento, e autorize apenas a divulgação de casos já resolvidos. Se realizado com sucesso, esse processo vai fazer com que o número de evidências contaminadas diminua, além de evitar que vítimas e operações sejam prejudicadas pela alta exposição na mídia.