A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 11/09/2020
O advento dos grandes veículos de comunicação possibilitou um insigne avanço na propagação de informações em massa, as quais obtiveram volumosa abrangência no cenário mundial, bem como afetaram substancialmente diversos espectadores e leitores. Apesar de a ferramenta midiática visar à divulgação de atualidades relevantes, tal fator destoa da realidade à medida que se verifica a presença do sensacionalismo no jornalismo, intimamente correlacionado tanto à disseminação de discursos manipuladores, quanto à questão hodierna a respeito da veracidade dos fatos reproduzidos pela mídia.
Segundo o sociólogo francês, Pierre Bourdieu, “aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia direta não deve ser convertida em mecanismo de opressão simbólica”. Acerca disso, é pertinente ressaltar o quão prejudicial é a presença do sensacionalismo ao público, visto que sua prática visa à utilização de títulos e vocabulários apelativos, bem como precipitados, a fim de atrair maior número de audiência em prol da manipulação verbal. Deste modo, ela suscita a disseminação de narrativas que propagam comentários preconceituosos, bem como odiosos, ou seja, a ocorrência da hipervalorização do discurso de ódio em plena rede nacional. Assim, esta atividade corrobora com a depreciação da imagem do jornalismo brasileiro, além de influenciar negativamente a sociedade.
Outrossim, vale destacar que as notícias sensacionalistas comprometem demasiadamente a veracidade de fatos recorrentes no cotidiano. Conforme já explicitado pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) os sensacionalismos se alastram 70% mais rápido que notícias verídicas. Tal alarmante dado demonstra a imensurável quantidade de informações errôneas difundidas entre inúmeros espectadores, os quais usufruem diariamente destes recursos. Dessa maneira, devido ao panorama supracitado, são exortados conflitos internos que dão origem a uma sociedade ignorante, caracterizada pela carência de qualquer conhecimento sobre o meio que está inserida, por admitir como verdade absoluta as informações duvidosas transmitidas.
Destarte, torna-se imprescindível a adoção de medidas a fim de solidificar políticas que visem o combate da influência sensacionalista na sociedade. Assim, o Ministério dos Direitos Humanos e o da Educação, devem, por meio de verbas públicas, intervir na realização de campanhas midiáticas, com o intuito de formar os jovens e informar os cidadãos quanto aos legítimos impactos de tais notícias apelativas, e promover debates, em meios essencialmente escolares, acerca da temática. Dessa forma, espera-se frear a presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.