A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 14/09/2020
O suicídio do ex-presidente Getúlio Vargas, motivado principalmente por uma pressão jornalística, elucida o poder midiático na nação brasileira. Analogamente, em tempos hodiernos, os veículos de comunicação continuam sendo uma arma mais política e mercadológica do que informativa. Nesse viés, seja pela sua ampla influência sobre as massas ou pela elevada monetarização das reportagens hiperbólicas, o sensacionalismo informacional coage diretamente a população e carece de cuidados.
Previamente, é necessário salientar o impacto ideológico do jornalismo no Brasil. A medida em que a ditadura do Estado Novo foi implantada, o contingente de propagandas exaltadoras do então representante federal foi crucial para a manutenção de seu governo. Assim, os veículos de informação foram responsáveis não só pela efetivação da Era Varguista, mas também pelo seu fim, em 1954, com o óbito do líder. Da mesma forma, diversos partidos e empresas utilizam-se da comunicação para reprimir ou enaltecer interesses próprios. Prova disso é a recente “cultura de cancelamento”, caracterizada pela disseminação de notícias muitas vezes exageradas que deturpam os indivíduos. Desse modo, garantir que as reportagens sejam instrucionais e não coercitivas é mister para estabelecer a democracia e o senso crítico na sociedade.
Ademais, a elevada rentabilidade das manchetes sensacionalistas contribuem para sua disseminação. Sob essa ótica, atrações que divulgam majoritariamente casos de violência e injustiça social cunham a “industria do medo”. Dessa maneira, os cidadãos são convencidos de não estarem protegidos o suficiente, tendo a necessidade de serviços que promovam a sensação de afastamento do perigo, como condomínios fechados e carros particulares, que muitas vezes financiam monetariamente tais programas. Segundo o filósofo Epicuro, o indivíduo deve afastar-se ao máximo do receio para atingir a vida plena e feliz, sem muitas perturbações. Logo, evitar a dramatização midiática significa, também, promover maior qualidade de vida aos civis.
Portanto, ações são necessárias com o objetivo de fazer a comunicação desempenhar sua função referencial e não influenciadora. Nesse sentido, a criação de uma secretaria averiguadora de mídias, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, responsável por assegurar a imparcialidade dos principais canais informativos, por meio de taxações sobre reportagens apelativas e falaciosas, é essencial a fim de diminuir a manipulação da imprensa. Além disso, o estabelecimento de uma ementa legislativa, pelo Congresso Nacional, que proíba os veículos de informação de divulgarem exclusivamente notícias alarmantes, é imperioso no intuito de extinguir o “mercado do terror”. Apenas assim evitaremos casos graves de cancelamento, como ocorridos com Vargas, pelo exagero das mídias.