A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 15/09/2019
Em 2008, ocorreu o “Caso Eloá”, quando uma garota de 15 anos, após ter ficado por mais de 70 horas em cativeiro, foi brutalmente assassinada pelo ex-namorado que não aceitava o fim do relacionamento. A mídia, em busca de audiência, criou matérias sensacionalistas, que deram informações privilegiadas da negociação ao criminoso. No mundo hodierno, percebe-se que o jornalismo não aprendeu com o erro de 2008, em que, na busca por mais audiência, cria notícias exacerbadamente sensacionalistas, moldando a opinião do público. Desse modo, cabe analisar as causas, bem como, os prejuízos sociais gerados por essa problemática.
A priori, cabe analisar o que motiva essa problemática a acontecer. A Guerra Fria foi uma corrida armamentista travada após a Segunda Guerra Mundial, entre as duas principais potências da época - EUA E URSS - e seus respectivos modelos econômicos, capitalismo e socialismo. Ela teve fim na década de 1990 e o modelo americano foi aderido em quase todo o planeta. Isso afeta diretamente o jornalismo dos dias atuais, que, inserido no capitalismo, visa o lucro máximo criando notícias extremamente sensacionalistas para atrair público. Nesse sentido, torna-se evidente que a obtenção de lucros é um dos principais motivadores dessa problemática.
A posteriori, é imprescindível ressaltar os prejuízos sociais causados por esse tema. O sensacionalismo do jornalismo brasileiro, em conjunto com matérias tendenciosas, molda a opinião da massa, gerando uma escassez nos recursos argumentativos da população, que, restringe o número de debates entre divergentes concepções, além de ferir a liberdade de expressão assegurada na Declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU. Desse modo, é notável que o sensacionalismo jornalístico causa graves problemas de comunicação.
Portanto, medidas públicas são necessárias para amenizar a presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro. Cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as instituições de ensino, o investimento em setores educacionais, visando reduzir a alienação da população com notícias imparciais. Além disso, compete ao Estado, a criação de órgãos de fiscalização do campo jornalístico, objetivando reduzir o número de notícias sensacionalistas. Ademais, o Ministério da Cultura deve criar “oficinas” de debates com participação da população, pretendendo tornar mais comum o debate entre divergentes pontos de vista. Desse modo, a influência do jornalismo em casos, como o da Eloá, diminuiria drasticamente.