A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 06/09/2019

Afirmava Nietzsche que a convicção é mais inimiga da verdade do que a mentira. O sensacionalismo presente no jornalismo brasileiro age, por sua vez, de forma análoga, ao se opor à divulgação de notícia de forma imparcial, objetiva e clara. Essa postura conduz o indivíduo e a coletividade ao erro, podendo lesar o debate público e a busca de medidas objetivas em favor da sociedade, pois o sensacionalismo almeja audiência em detrimento da qualidade e da verdade.

Acerca disso, o Código de Ética dos profissionais do jornalismo expressa como a atividade deve ser exercida: buscando ouvir as partes envolvidas em qualquer situação, de modo imparcial, sem favorecimento de um dos lados e respeitando as pessoas mencionadas. Contudo, principalmente em casos de comoção nacional, como o assassinato de Isabella Nardoni ou do goleiro Bruno, pela exagerada ênfase midiática, o que se torna evidente é a exploração da violência e dos acusados para cativar o público.

Consequentemente, os reflexos do sensacionalismo são notados, sobretudo, em casos de alta complexidade penal ou criminal, uma vez que, a pressão sobre advogados, promotores e corpo de jurados pode influenciar suas decisões. Não obstante, o episódio do sequestro e assassinato de Eloá Pimentel, em 2008, mostrou as extremas consequências que jornalistas tomam em busca do melhor furo, quando uma repórter ligou para o sequestrador colocando a vítima em risco de morte.

Portanto, perante a prática do sensacionalismo da imprensa, impende ao poder legislativo, por meio do Senado e da Câmara dos deputados, em parceria com as associações de jornalismo e imprensa, discutir e criar leis que, inibindo a prática da desinformação e da busca antiética de notícias, assegurem o direito da informação, conforme prevê a Constituição Brasileira. Por conseguinte, o Código de ética desses profissionais será respeitado, a relevância da imprensa se manterá imaculada e a verdade, conforme afirma santo Agostinho, será o bem coletivo que deve ser.