A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 10/09/2019

No ano de 59 a.C. durante o governo imperial de César foi criado o primeiro jornal que se tem notícia a Acta Diurna, que trazia notícias diariamente a todos os cantos do Império. Hodiernamente, no Brasil, existem inúmeros jornais, impressos ou digitais, em circulação. No entanto, o país enfrenta diversos problemas relacionados à presença do sensacionalismo jornalístico. São fatores que contribuem para essa problemática o despreparo de jornalistas, que muitas vezes não querem ou não são capazes de enxergar o sensacionalismo em seus próprios textos aliado à nefasta busca pelo lucro em detrimento da qualidade das notícias veiculadas.

Nesse contexto, o despreparo de parte dos jornalistas, que não têm a percepção de que seu trabalho, se mal feito, afeta negativamente a sociedade, agrava o problema. Como disse o teórico da comunicação Masrshall McLuhan nos anos 60, a mídia não é apenas um canal passivo para o tráfego de informação. Ela fornece a matéria, mas também molda o processo de pensamento. Nesse sentido, é evidente que um jornalismo sensacionalista pode desencadear na população uma visão deturpada da realidade, uma vez que, segundo pesquisa do IBOPE, Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, 84% dos brasileiros consomem frequentemente notícias na televisão, rádio, jornal e internet.

Ademais, a mercantilização da notícia em consonância com a busca predatória por lucro acima de tudo agrava o problema do sensacionalismo no jornalismo brasileiro. Conforme Karl Marx, em sua obra “O Capital”, em um mundo capitalizado, a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais. Nesse sentido, a espetacularização da informação se encaixa na teoria do filósofo alemão, uma vez que, os meios de comunicação que utilizam desse mecanismo o fazem unicamente para atrair a atenção do público com o intuito de vender mais informação. Isso demonstra, portanto,  que a qualidade, a relevância e a veracidade do que propagam não estão em primeiro plano.

Diante desse cenário, é imperativo que a presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro seja combatida dentro dos moldes da lei. Para isso, cabe ao Poder Legislativo a elaboração de lei que regulamente a atividade jornalística não ultrapassando o limite da censura. Em paralelo, o Poder Executivo deve, através do Ministério da Educação e Cultura, atestar melhor a qualidade dos cursos de jornalismo do país. Isso será possível por meio da participação conjunta com a sociedade que pode fiscalizar as fontes primárias de informação e denunciar os abusos através de canal 0800. Espera-se, com isso, a formação de profissionais da imprensa mais qualificados e imparciais, que não se dobrem diante da pressão que o capitalismo exerce sobre os meios de comunicação.