A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 31/08/2019
Na obra “Jogos Vorazes”, de Suzanne Collins, é retratado uma sociedade distópica na qual adolescentes são colocados em uma arena para lutarem até a morte. O reality show de enorme audiência que da nome ao livro é a principal forma de entretenimento do país Panem. Consoante à realidade, o jornalismo brasileiro infelizmente faz o uso do sensacionalismo para explorar a desgraça, quando deveria ser imparcial. Esse comportamento revela uma problemática do comportamento da população e pode prejudicar as investigações criminais.
Em primeiro plano, nota-se a falta de empatia presente na sociedade. Nesse sentido, o sociólogo Zygmunt Bauman, em “Modernidade Líquida”, disse que o principal problema da pós-modernidade é o individualismo, o que degrada as relações humanas. Esse conceito explica o fato de muitas pessoas optarem por programas sensacionalistas que exploram o sofrimento alheio de maneira cruel. Por isso, de acordo com a dialética marxista de contradições, se existem programas do tipo é porque há quem assiste.
Ademais, é nítido que a indústria midiática lucra com tudo isso, como é mostrado no filme “O Abutre”, no qual um jornalista vaga pela cidade em busca de acidentes para filmar e vender para as emissoras de TV por preços exorbitantes. Logo, com o intuito de lucrar mais, ocorre a interferência nos casos criminais, o que acaba por prejudicar o andamento deles. Isso ficou evidente no “Caso Eloá”, em que um programa ligou para o sequestrador ao vivo durante o crime, além de expor todos os passos da polícia. Consequentemente, a vítima faleceu.
Urge, portanto, que o Ministério da Educação utilize de verbas públicas a fim de realizar palestras anuais nas escolas de todas as esferas de ensino acerca dos riscos do jornalismo sensacionalista. Além disso, o Ministério Público deve financiar com impostos arrecadados influenciadores digitais que formariam uma consciência coletiva em suas redes sociais de que esses programas não devem ser assistidos. Sendo assim, a diminuição da audiência amenizaria os danos causados, e a realidade mostrada por Collins seria apenas ficção e não um reflexo social.