A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 29/08/2019
Segundo o código de ética profissional, o jornalista é responsável por toda a informação que divulga , desde que seu trabalho não tenha sido alterado por terceiros. Nesse viés de conduta, o leitor de um jornal espera encontrar informações confiáveis, imparciais e com conteúdo embasado em argumentos idôneos e de fontes confiáveis. No entanto, a busca pela audiência tem sido o foco central que leva ao sensacionalismo, em detrimento do compromisso com a verdade e do jornalismo investigativo, independente dos danos que venham a ocorrer por esse ato inconsequente.
Inicialmente, cabe destacar que a confiança é a essência do jornalismo. O profissional dessa área deve se preocupar constantemente com a origem da informação, com a idoneidade dos informantes, ouvir todas as partes e tratar com imparcialidade e respeito a todos os envolvidos nas notícias divulgadas. Agindo dessa forma, percebe-se o caráter ético e compromissado com a verdade do jornalista afinal “ boas pessoas não precisam de leis para obrigá-las a agir responsavelmente, enquanto as pessoas ruins encontrarão um modo de contorná-las”, sábias palavras de Platão, filósofo na Grécia antiga. Sendo assim, ao contornar a verdade com intuito de chamar a atenção do leitor, além de ferir os princípios básicos do jornalismo, podem trazer consequências imensuráveis às partes atingidas, ficando sujeito a ressarcimento pecuniário pelos danos provocados, como no caso da jornalista Mirella Cunha que tratou de forma jocosa um suspeito de estupro e respondeu financeiramente por isso.
Ademais, sabe-se que os meios de comunicação necessitam de patrocinadores e sobrevivem graças às propagandas em seu meio de comunicação. Dessa forma, aqueles exercem um poder econômico sobre o conteúdo divulgado em função da necessidade do aumento da audiência que sobrevive alimentada por noticiários impactantes e sensacionalistas. Esse argumento é utilizado pelos grandes meios de comunicação e que alegam ser esse tipo de programa a preferência de seu público. Esses influenciam, inclusive, na escolha dos repórteres que nem sempre são profissionais da área, possuindo uma boa aparência ou trata-se de alguém famoso, sem formação profissional específica.
Concluindo, é evidente que o problema central da utilização do sensacionalismo está intimamente ligado à ausência de compromisso com a ética jornalística, ocasionada pela contratação de pessoas sem formação da área , dos que não observam o compromisso profissional ou que sucumbem ao poder econômico em detrimento da verdade. Para que isso não mais ocorra, a profissão precisa passar por uma reforma na regulamentação, endurecendo punições por desrespeito à ética, através de seus Conselhos de Classe e regulamentadas por Lei, obrigando a contratação de jornalistas formados para que a profissão volte a ter compromisso com a verdade e confiabilidade no exercício profissional