A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 27/08/2019
No século XV e XVI, os primeiros impressos noticiosos surgiram na Espanha e na França, confeccionados para que fossem lidos em voz alta e em espaços públicos, em razão do reduzido letramento da maioria da população. Assim, eles se revestiam de importância social porque eram, na prática, instrumentos de mediação entre acontecimentos e as pessoas.De modo contrário, na realidade brasileira, o jornalismo tem se distanciado progressivamente de sua função informativa assumindo uma postura sensacionalista que atribui a matéria um viés mercadológico e interfere negativamente na capacidade crítica da população.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a mentalidade capitalista que associa a notícia a um produto de consumo é fator determinante para o problema. Com as transformações da modernidade, o acesso aos meios de comunicação foi ampliado no país, permitindo que, segundo dados do IBGE, 96,7% dos brasileiros tenham acesso a televisão e 74,9% à internet. Desse modo, as organizações midiáticas, ao perceberem um potencial elevado no número de formas de alcançar o telespectador, assumiram uma estratégica mercadológica ao utilizarem manchetes exageradas e histórias apelativas com o único objetivo de criar um produto lucrativo no mercado da informação.
Ademais, convém frisar que a perda de julgamento crítico dos indivíduos também reflete os efeitos nocivos do sensacionalismo na mídia atual. Consoante o escritor George Orwell, “A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla as pessoas”.Nesse sentido, a manipulação da sociedade ocorre por intermédio de noticias carregadas de exageros, cargas emocionais e histórias estraordinárias que, ora influenciam as pessoas a deixarem as suas emoções deliberarem sobre o seu juizo, ora induzem o leitor a uma assimilação passiva das informações carregadas de opiniões e interpretações preestabelecidas.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para solucionar o problema. À vista disso, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Ministério da Ciência de Tecnologia, criar a “Campanha Nacional pelo Jornalismo Ético”. Com o objetivo de descredibilizar conteúdos sensacionalistas e orientar a população a ter uma postura crítica quanto as informações midiáticas, essa campanha, com o auxílio de jornalistas, cientístas da computação e publicitários, deve desenvolver um site nacional contendo instruções para a população identificar noticias tendenciosas, um ranking com os veículos de mídia mais éticos e confiáveis e uma ferramenta que possibilite comparar a mesma reportagem em diferentes fontes. Somente assim, será possível enfraquecer o jornalismo sensacionalista e resgatar principios éticos dos primórdios da invenção da imprensa.