A prática do catfish e seus perigos
Enviada em 15/07/2022
Em tese, é notório que a prática do catfish (utilização de perfis falsos nas redes sociais) é extremamente perigosa para os usuários, visto que tal técnica pode ser usada para golpes, como extorsão de dinheiro, dados pessoais, fotos, dentre um leque de finalidades imorais. Dessa forma, utilizar a internet requer certos cuidados, a fim de conservar a integridade e validade das informações, como confirma a tese de Jacques Rousseau: “A falsidade é susceptível de uma infinidade de combinações; mas a verdade só tem uma maneira de ser.”
Historicamente, é possível relacionar a ideia de Immanuel Kant sobre o imperativo hipotético (o qual se refere à uma ação exterior ao indivíduo, impulsionada pelo medo da punição ou pela obtenção de benefícios) às ações nas redes sociais, de tal modo que os indivíduos, muitas vezes, interpretam esse meio como uma “terra sem lei”, isenta de supervisão e por isso de mais fácil manipulação para suas finalidades. Assim, a moral deixa de ser uma prioridade, e a internet abre espaço para o benefício individual, o qual nem sempre é bem intencionado.
Como consequência, é comum ver casos como o da publicitária Amanda Macedo, que teve sua história divulgada pelo site TecMundo, e mostra o típico catfish, em que o usuário utiliza uma falsa identidade, cria intimidade e depois pede dinheiro para a vítima, que, apegada emocionalmente, transfere. Ademais, as consequências geradas por essa prática podem tornar-se ainda mais complexas, como divulgação de dados pessoais ou até mesmo conseguir material pornográfico por meio da manipulação e falsa identidade.
Em síntese, é necessário que o Ministério das Comunicações aplique uma fiscalização mais eficaz no meio tecnológico, por meio de uma política de privacidade eficiente, e que vise minimizar a falsificação ideológica ou compartilhamento de informações indevidas. É preciso, também, que haja uma mudança na legislação, em prol de uma menor margem para crimes como o catfish, além da necessidade de atenção e empatia dos usuários, para que haja menos enganação e mais uso consciente das redes.