A prática do catfish e seus perigos
Enviada em 14/07/2022
No livro “Conectadas”, de Clara Alves, a personagem principal Raíssa usa a identidade de seu amigo para participar de jogos on-line, enganando seus amigos virtuais. Hordienamente, essa prática é conhecida como “catfish”, e quando utilizado para causas erradas pode causar perigos. Dessa forma, essa realidade é resultado da falta de regulamentação no uso das redes sociais, em conjunto com a falta de debate acerca do tema.
Primeiramente, destaca-se a sensação da internet ser uma ’terra sem lei’, o que contribui para ameaças reais no mundo virtual. Conforme o sociólogo Zygmunt Bauman, as redes sociais são uma armadilha, e seu pensamento se materializa quando pessoas usam tal espaço para darem golpes em outras, usando perfis falsos. Sob esse viés, sem que aja regras que determinam o lícito e o ilícito no espaço digital, não haverá minimização da problemática.
Ademais, a falta de discussão sobre a temática representa outro problema. Segundo Habermas, sociólogo da Escola de Frankfurt, a linguagem é uma forma de ação. Contudo, a desinformação sobre o catfish impede a prevenção e a denúncia da prática. Apesar de ser um termo recente para um problema que surgiu com a internet, o tema supracitado precisa ser debatido, a fim de que a sociedade possa ficar ciente dos perigos.
Portanto, é imprescindível que o poder público, com o intuito de proteger a vida on-line dos cidadãos, estabeleça o roubo de identidade virtual como um crime previsto em lei, fazendo com que os praticantes paguem multas às vítimas. Além disso, as próprias redes sociais devem emitir postagens informativas sobre como identificar perfis falsos, em conjunto com medidas de suspenção de perfis suspeitos, para que os demais usuários estejam protegidos. Só assim, a obra de Clara Alves poderá ser desvinculada da realidade.