A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 10/07/2018

É da Marvel ou da DC?

O artigo 5 da Constituição do Brasil apresenta que a segurança é condição basilar para o exercício da cidadania e é direito universal de todos. Porém, a participação da sociedade nesse contexto não é com a substituição dos responsáveis pela proteção - ou seja, justiça com as próprias mãos -, mas sim com suporte a eles através de um trabalho conjunto. Embora a situação da segurança esteja crítica, uma vez que em 2016 o país superou o patamar de 30 mortes por 100 mil habitantes segundo o Ministério da Saúde, o preceito “olho por olho, dente por dente” do Código de Hamurabi não pode ser válido como subterfúgio aos justiceiros, até porque, reagir a um assalto já aumenta 180 vezes o risco de morte, o que só contribui para o aumento do número de mortes. Sendo assim, agir como o Demolidor ou o Batman não configura ajuda às autoridades, mas atrapalha na atuação já confusa destas, ainda mais porque quem atua de maneira justiceira normalmente tem a intenção de vingar-se, e como Stephen Hawking disse, a agressividade é a maior falha da raça humana e ela ameaça destruir todos nós. Por isso, a união entre as comunidades para organizar pequenos grupos de patrulha e de criação de ideias plausíveis e aplicáveis pelos oficiais de justiça apresentam mais efetividade. Destarte, o contínuo fracasso das políticas públicas de segurança deve ser avaliado e reformado pelo Ministério da Defesa, a fim de direcionar o foco a ser combatido de forma uniforme a partir dos municípios mais conflituosos até os de menor grau e focado em um problema de cada vez. Ademais, as escolas e universidades devem oferecer aulas sobre cidadania e sua participação na segurança com material oferecido pelo Ministério da Educação para promover maior integração na sociedade e redução nos índices de violência, sem a necessidade de escolher entre Marvel e DC para os nossos justiceiros.