A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 08/07/2018

A história em quadrinhos do Arqueiro Verde, criada pela empresa D.C., evidencia a idealização na sociedade de justiceiros responsáveis pelo combate à carteis de drogas e criminosos. No entanto, deve-se ressaltar que a necessidade da ação desses indivíduos, no mundo fictício, se tornou necessária devido à ineficiência das autoridades públicas. Percebe-se na realidade brasileira a mesma falha no combate à violência, estimulando a ação de vigilantes, porém sem habilidades especiais ou juízos de valores.

Nesse contexto, a falta de segurança pública no país estimula justiceiros com a intenção, a priori, de suprir as necessidades da população. De acordo com o sociólogo Max Weber, cabe apenas ao Estado garantir a integridade dos indivíduos e esse deve ser o único detentor do uso exclusivo da força, não sendo função dos cidadãos julgar ou agredir um criminoso. Entretanto, a inércia estatal perante o cenário da violência urbana fomenta a justiça com a próprias mãos, uma vez que tentam solucionar com agressões a supostos estupradores e ladrões, visando à diminuição dos crimes. Assim, tal prática favorece o apoio da população aos ataques arbitrários de julgamento social sem análise dos impactos as questões sociais.

Por conseguinte, a manutenção desse comportamento gera consequências à sociedade. O aumento no número de linchamentos públicos de cidadãos inocentes, devido à semelhança com criminosos, resultando em mortes é um exemplo de quão falho o julgamento social pode ser. Dessa forma, favorece-se o conceito de anomia proposto pelo sociólogo Durkheim, pois, ao invés dos indivíduos buscarem formas de convivência harmônica e exigir a ação do Estado como provedor da justiça, agridem outros, favorecendo o caos social. Portanto, os cidadãos ficam sujeitos à fragmentação social, já que a instituição estatal não assegura a Constituição Federal protetora do direito à defesa.

Nessa perspectiva, A carência na segurança contribui para o apoio da população aos justiceiros. Por isso, cabe ao Estado se mostrar como combatente da violência urbana e se fazer presente nesse cenário, por meio da aquisição de câmeras de segurança, uma vez que são fundamentais no monitoramento das ruas das grandes cidades, com o intuito de facilitar o trabalho da polícia em inibir a ação dos justiceiros e dos criminosos, conferindo maior confiança ao poder estatal. Outrossim, torna-se necessário que as instituições educacionais discuta as consequências da justiça com as próprias mãos com os alunos, por intermédio de palestras com especialistas, como filósofos e sociólogos, a fim de diminuir o apoio de tal prática.