A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 08/06/2018
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, o principal documento que serve de referência para o amplo exercício da cidadania e dos direitos e liberdades básicas de todos os cidadãos, assegura que as pessoas são dotadas de razão e consciência. Sendo assim, devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade. Entretanto, a situação atual do Brasil é bastante controversa: cidadãos sentem-se no dever de “justiceiros” ao torturar e até assassinar supostos criminosos.
A insuficiência do Estado somada a falta de entendimento da população de como fazer o controle da segurança, induz a sociedade a querer agir por conta própria. Pessoas comuns que se dizem parte de uma sociedade “civilizada” fazem “justiça” através de práticas medievais,agindo como verdadeiros bárbaros. A partir do momento em que estes cidadãos deixam-se guiar pela fúria irracional, perdem sua credibilidade, equiparando-se às suas vítimas.
Seguindo o lema “bandido bom é bandido morto”, as pessoas que praticam “justiça” com as próprias mãos anestesiam a própria percepção sobre criminalidade e cegam-se diante das próprias ações e dos vilões em grande escala. Os “justiçados” são apenas aqueles mais vulneráveis e que roubam até por necessidade. Curiosamente, essa “onda” não atinge os piores e mais ambiciosos ladrões, pois estes detém o poder e conseguem manipular a população.
Diante das considerações, é necessário reavaliar as noções de justiça na sociedade brasileira. É de suma importância que o governo fortaleça a segurança pública para que os criminosos sejam punidos adequadamente e implemente um sistema carcerário eficaz para que a ideia de impunidade não se alastre, gerando mais crimes. Os “justiceiros” devem também ser punidos e acompanhados psicologicamente para enxergar a hipocrisia e largar a violência. Tanto Estado como sociedade civil tem parcela de culpa. Desse modo, é ideal que ambos interajam para garantir a segurança e resguardar os Direitos Humanos.