A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 06/06/2018

Justiça feita pelo homem

Os telejornais apresentam uma avalanche de reportagens sobre crimes e violências que acabam encerrando com amigos, familiares ou a própria vítima pedindo justiça. Sabe-se que pouco é efeito através do poder judiciário quando se trata de punir os criminosos, processos são demorados, a investigação não progride, o que faz  as pessoas se revoltarem contra essa aparente falta de justiça. Assim, alguns pontos devem ser pensados, com o objetivo de propor soluções sem desrespeitar o direito de cada cidadão e os valores éticos e morais.

A insatisfação com a impunidade vem se manifestando através da justiça com as próprias mãos, que no caso acontece quando o homem se baseia na máxima do “dente por dente, olho por olho’’, que vem desde os primórdios da sociedade. Para muitos é mais válida essa forma de justiça já que o descrédito com o poder judiciário é enorme, uma vez que frequentes são as vezes em que o criminoso é solto sem nenhuma punição, ou porque possui residência e empregos fixos ou porque não possui antecedente criminais, ou até mesmo por falta de lugar nos presídios.

O poder judiciário brasileiro, por ser ineficiente, faz com que surjam os chamados justiceiros, pois o estado ao não oferecer justiça adequada transforma vítimas, parentes amigos em seres revoltados, tendo um único desejo: vingança. Fazendo com que o criminoso pague pelos seus atos, apelando ao espancamento, apedrejando, torturando até a morte, pois no  pensar de muitos essa é a melhor forma de justiça atualmente.

Ao fazer sua própria justiça, os envolvidos não percebem as consequências que podem causar para a sociedade, embora o sentimento de vingança prevaleça, a violência aumenta, o descontrole emocional e inocentes podem ser punidos. Muitas vezes a sociedade entende que a punição deve ser imediata, evidenciado na frase “bandido bom é bandido morto“, porém é preciso ter em mente que muitos estarão à mercê destas regras, pois fazer justiça com as próprias mãos impede a vida em sociedade e transforma todos em reféns uns dos outros.

É inaceitável que a sociedade retroceda e considere como normais as barbáries que são cometidas em nome da justiça, neste caso se faz necessário campanhas, propagandas que mostrem que agindo assim, se é igual ou pior que o bandido. Deve ser exigido dos órgãos governamentais leis mais rígidas e punições corretas, também é essencial a reforma do sistema judiciário e carcerário e, ainda, sugere-se aumentar o número de policiais nas ruas, para que a população  sinta-se segura e investir mais em políticas públicas que valorizem o ser humano.