A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 04/05/2018
Falta iniciativa
A prática da justiça com as próprias mãos é um grande problema. Infelizmente vem sendo cultivada desde a década de 80, com os chamados “Grupos de Extermínio”, até orgulhavam-se das diversas alcunhas. No entanto, essa atitude fere o que normatiza a nossa Constituição Federal, que nos garante o direito à vida. Além disso, de maneira inequívoca, deixa um rastilho de proporções consideráveis.
Indo além, a exemplo da violência, como a que ocorreu com um jovem na zona oeste de Boa Vista, depois de ser espancado por populares até à morte, após receber vários golpes a tijoladas na altura da cabeça. Segundo testemunhas o jovem seria suspeito de praticar vários assaltos na região.Muitos, sentem-se heróis com as execuções sumárias e a falsa sensação de justiça, quando na verdade, estão agindo de forma execrável e, rompendo assim, a linha que separa a civilização da barbárie.
De fato, quando o Estado não consegue cumprir com o seu dever de assegurar os direitos básicos para o bom funcionamento da sociedade, muitos cidadãos, insatisfeitos com a fragilidade do Sistema tomam para si o papel do Poder Judiciário. E ainda, a capacidade coercitiva dos motins incontroláveis transformam pessoas de bem, em criminosos. Mas, vale salientar, que essa prática apenas agrava o cenário ao passo que fomenta a ocorrência de casos cada vez mais audáciosos.
Conforme o exposto, faz-se necessário uma união mais sólida do três Poderes e suas esferas, valendo-se de sua capacidade abarcativa, tornando as leis mais rígidas, claras e eficazes. O poder Legislativo criando novas leis para o país, o Executivo administrando políticas públicas de real interesse para a população e o Judiciário agindo com rapidez para evitar que os casos de linchamento se concluam. Dessa forma, para que os resquícios de impunidade não venham corromper a outra metade que espera de mãos atadas uma iniciativa do poder público.Só assim, construir-se-á um Brasil mais justo.