A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 23/04/2020

Na obra literária ‘’O Advogado’’, de John Grisham, é retratado o cotidiano dos moradores de rua da cidade de Washington, que constantemente vivem em albergues por não se enquadrarem no atual modelo econômico. Na narrativa, uma jovem chamada Lontae Burton, de 19 anos, possui três filhos e utiliza um carro abandonado como espaço de moradia e sustento. Não distante da ficção, no cenário hodierno brasileiro, é inegável que a cada ano mais indivíduos estão na referida situação. Com isso, a exclusão social, aliada a inexistência de ações do governo implica a manutenção dessa condição.

Em primeira instância, cabe ressaltar que o afastamento social é um dos principais reflexos da situação dos necessitados no Brasil contemporâneo, visto que, diante de uma sociedade capitalista, é necessário ter qualificação profissional, que são requisitos inacessíveis por parte deles. Segundo uma pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), 31.922 indivíduos utilizam as ruas como moradia em 71 cidades brasileiras com população superior a 300 mil habitantes. Diante disso, é evidente que existem inúmeros casos de indivíduos que vivenciam a desigualdade social. Assim, essa população poderia receber tratamentos necessários, como moradia e alimentação, visando a reintegração na sociedade e o ingresso no mercado de trabalho, condição inviável devido ao descuido por parte do Estado.

Paralelamente a essa dimensão, presencia-se, também, uma forte vulnerabilidade e medo na vida dos moradores de rua. Dessa maneira, há necessidade de reflexão sobre as condições de vida deles e da luta pela dignidade e respeito que eles passam todos os dias. De acordo com o atual deputado federal de São Paulo, Nilto Tatto, no Brasil, ainda não existe uma lei que assegura os direitos desses necessitados. Além disso, ONG’s e instituições religiosas geralmente atuam na distribuição de alimentos, roupas e cobertores que, no entanto, possuem capital considerados insuficientes para beneficiar toda essa população. Logo, é evidente um forte descaso por parte do Governo, especialmente quando existe uma população necessitando urgente de assistência.

Fica claro, portanto, que medidas devem ser tomadas a fim de apaziguar os problemas envolvendo desigualdade social. Dessa maneira, é mister que o Governo invista em políticas públicas que visam assistir à população miserável, dando moradia, alimentação e suporte para a reintegração na sociedade. Além disso, cabe ao Estado financiar ONG’s e campanhas acolhedoras das instituições religiosas, os quais atuam como provedores na vida dos moradores de rua. Somente desse jeito, é possível acabar com esse empecilho presente na sociedade atual.