A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 24/04/2020

De acordo com o Art. 5º da Constituição federal de 1988, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. Não se vê entretanto, na sociedade atual, o cumprimento dessa norma visto que há um crescente número de pessoas em situação de rua nas cidades brasileiras, principalmente em metrópoles como o Rio de Janeiro e São Paulo. Isso ocorre, ora em função do descaso social, ora pelo grande índice de desemprego.

Em primeiro plano, vale destacar que, o ser humano está cada vez mais individualista e isso faz com que ele seja indiferente diante do sofrimento de um indivíduo. Nesse sentido, segundo Zygmunt Bauman, o pessimismo da modernidade exerce coerção sobre as pessoas, fazendo com que elas permaneçam inertes diante de quadros negativos. De forma análoga a esse pensamento, a falta de empatia com essa parte da população, que vive em condições precárias nas ruas, contribui não só para a continuidade de tal cenário, mas também gera o preconceito, a violência e o sentimento de incapacidade o que muitas vezes faz o sujeito desenvolver depressão.

Paralelamente a essa dimensão, a crise na economia teve por consequência a falta de empregos, que vem crescendo e afetando grande parte da população do país. De acordo com dados do IBGE, o Brasil hoje concentra 12 milhões de desempregados. Diante disso, a parte mais carente da sociedade é a que mais sofre com as consequências pois sem uma renda mínima mensal é impossível ter uma casa digna e sustentar a família, de modo que sua única opção seja  morar nas ruas aumentando também então o índice de desabrigados. Além disso, muitos deles passam a trabalhar nas ruas como catadores ou pedindo dinheiro em sinais, submetendo-se diariamente a muitos perigos.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de mudança na forma de pensar e agir da população e de uma melhora na taxa de desemprego. Assim, cabe as ONGs promover campanhas em meios de comunicação para conscientizar a população sobre as dificuldades que os moradores de rua passam, a fim de que isso provoque uma maior empatia e preocupação com essas pessoas. Outrossim, compete ao Estado combater a falta de empregos por meio políticas públicas, que incentivem empresários a contratarem e qualificarem pessoas, principalmente as que estão à margem da sociedade, objetivando a saída de indivíduos das ruas e evitando que outros ocupem esse lugar. Dessa forma, além de promover a solidariedade e o altruísmo, será possível diminuir o número de desabrigados no país.