A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 01/08/2024
A magnífica Constituição Federal Brasileira afirma no artigo 196: " A saúde é um direito de todos e dever do Estado, mediante a prática das políticas públicas vigentes “, contudo, infelizmente, nos mais variados rincões do Brasil ainda há carência de boas práticas de saúde pelo Estado, em especial às relacionadas ao ciclo menstrual em que várias mulheres não têm acesso a absorventes, não há informações de como adquiri-los gratuitamente e há uma falta de apoio social.
Mediante o exposto, existe uma vultosa desigualdade social no Brasil, pois, muitas mulheres passam por dificuldades financeiras e não tem condições de comprar um pacote de absorvente e com isso fazem improvisos como o uso de panos, sacolas plásticas e até miolo de pão. Simultaneamente, não há informações básicas ou políticas públicas eficazes que informem sobre a possibilidade de haver a distribuição gratuita de absorventes a essas pessoas, ou de uma atuação conjunta às unidades básicas de saúde a fim de orientá-las sobre esse direito e o fornecimento desses insumos em locais apropriados e de forma discreta.
Aliada à incipiencia constatada, o grupo feminino necessitado abrange vários segmentos sociais dentre eles: Presidiárias, moradoras de rua, de instituições de longa permanência e centros de reabilitação, as quais são afetadas pela inércia sócio-governamental e por isso usam improvisos conforme já supracitados levando a sérios problemas de saúde como infecções urinárias, fungicas, até infertilidade, gerando gastos ao sistema Único de Saúde e acentuando o reflexo desigual entre a classe vulnerável e a de mulheres independentes financeiramente.
De acordo com o relato descrito, é necessário por parte do Ministério da Saúde em parceria com as secretarias municipais e estaduais desenvolverem políticas de assistência a essas mulheres com a distribuição discreta de absorventes e coletores menstruais nas Unidades básicas de saúde e a orientação de médicas ginecologistas esclarecendo possíveis dúvidas, além de um debate nas escolas durante as aulas de biologia a fim de quebrar tabus e promover uma maior equidade relacionada à pobreza menstrual de mulheres mais vulneráveis.