A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 31/05/2024

Na obra literária da artista Larissa Manoela : O diário de Larissa Manoela, a atriz conta sobre sua primeira menstruação e todo o apoio que recebeu naquele período. No entanto, fora das obras literárias, é perceptível que a experiêcia de Larissa se torna particular quando falamos sobre menstruação visto o número de pobreza menstrual no país. É notório que o fenômeno é reflexo da desigualdade social que ocorre graças à má distribuição de renda e racismo estrutural.

Em primeira instância, deve-se discorrer que na realidade, cerca de 52% das pessoas que menstruam no Brasil já sofreram com a pobreza menstrual. Tal número é alarmante quando analizado visto que maior parte da populção que menstrua já enfrentou situações como substituir um absorvente por papel higiênico ou até um miolo de pão como citado em uma reportagem do programa “Fantástico”, exibido pela rede Globo. Nesse viés torna-se válido citar a célebre frase do filósofo Jean-Paul Sartré: “Toda palavra tem suas consequências, todo silêncio também.” Nesse contexto, tal sentença demonstra que a falta de atitude por meio do Estado gera rupturas.

Ademais, é fundamental citar o racismo estrutural como amplificador da pobreza menstrual e como reflexo da desigualdade social tendo em vista uma pesquisa, realizada no âmbito do Projeto Novo Ciclo, na qual revela que a pobreza menstrual atinge cerca de 47% das jovens negras, o que comprova que boa parte das pessoas pretas além de passar pela segregação da má distribuição de renda, sofrem também, durante o período menstrual com a falta de recursos básicos como absorventes. Entretanto, tal problemática é inconstitucional visando o artigo 5º da Constituição Federal de 1988, o qual prega que todos os cidadãos são iguais perante a lei. No entanto, o artigo é descumprido quando a pobreza menstrual acontece.

Depreende-se , desse modo, a necessidade de deter a pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no país. Por isso, urge que o Estado- responsável pelos três poderes- promova políticas públicas a fim do combate à má distribuição de renda e racismo estrutural.Assim, consolidar-se-a uma sociedade que minimiza os impactos negativos da pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social.