A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 07/04/2024

A pobreza menstrual afeta milhares de pessoas no país inteiro. Mesmo após a implementação do Programa de Proteção da Saúde e Dignidade Menstrual e a distribuição de absorventes gratuitos pela Farmácia Popular, este ainda é o cenário de um país onde a menstruação prevalece como um tabu muito presente nos lares brasileiros e a renda mensal média da população não cobre as despesas básicas.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que predomina em muitas famílias a ideia antiquada de que o ciclo menstrual é um assunto que deve ser esquecido ou ignorado por “não possuir importância”, não sendo visto como um processo natural do corpo feminino. Ademais, esse preconceito culmina na vergonha de se falar sobre o tema abertamente em escolas ou entre pais e filhas. Um exemplo disso pode ser visto no filme da Disney “Baymax”, onde uma das personagens enfrenta seu primeiro ciclo menstrual e se envergonha profudamente disso. Logo, é de extrema importância que o assunto passe a ser normalizado e discutido.

Além disso, é perceptível que as mulheres mais afetadas pela pobreza menstrual são aquelas em situação de desigualdade social, ou seja, não possuem condições financeiras para comprar absorventes. Deste modo, a renda mensal de muitas pessoas não consegue cobrir despesas básicas, como boa alimentação e moradia, portanto, a higiene pessoal acaba por ficar em segundo plano e, ao somar com os fatos supracitados, fomenta o desenvolvimento de doenças e agrava a situação de saúde pública no país. Além do mais, mesmo com programas sociais que disponibilizam absorventes gratuitos, diversas pessoas não conseguem ter acesso por falta de informações.

Em suma, é necessário debater a pobreza mesntrual, como também a menstruação, na busca da quebra de preconceitos e ensinar, principalmente as meninas, sobre saúde íntima. Dito isso, é dever do Ministério da Educação (MEC) incrementar no currículo escolar sobre o ciclo menstrual como também os cuidados de higiene necessários a fim de ensinar as novas gerações. Em sequência, é dever do governo federal criar e facilitar o acesso a programas sociais e divulgá-los através da mídia e redes sociais, tendo como objetivo alcançar mais pessoas e ajudá-las a ter uma vida mais digna.