A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 21/01/2024

A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro, assegura uma sociedade livre, justa e solidária. Todavia, as marcas da desigualdade social geradas pela pobreza menstrual no Brasil mostram que, na prática, os cidadãos não vivenciam plenamente esse direito. Tal discriminação ocorre devia à inércia estatal e à ineficácia dos debates midiáticos.

Diante desse cenário,a negligência do Estado constitui-se como um dos desafios no enfrentamento do imbróglio. Sob esse viés, para o filósofo polonês Zygmunt Bauman, uma instituição, quando posicionada de forma a ignorar sua função social, é considerada em um estado de “zumbi”. Desse modo, cabe ao poder público solucionar questões latentes no país, como o reflexo da desigualdade social concernente a pobreza menstrual no Brasil.Nessa perspectiva, o Estado brasileiro assume uma postura omissa, visto que referente ao fornecimento gratuito de absorventes íntimos aos indivíduos de baixa renda, ele é falho. Deste modo, são necessárias medidas do Governo para mudar essa realidade.

Ademais, é essencial atentar para a insuficiência de discussões sobre tópico. Nesse prisma, o filósofo Habermas postulava que a linguagem é uma verdadeira forma de ação, indicando que discutir um problema é uma maneira eficaz de enfrentá-lo. Sob tal ótica, as disparidades sociais que atingem meninas em período menstrual é um tema silenciado. A exemplo disso, a população em geral não tem conhecimento dos impactos negativos - a exemplo de infecções vaginais- que a falta de debates sobre o assunto tem na vida das vitímas. Logo, evidencia-se o silenciamento como um desafio que deve ser solucionado para enfrentar essa pauta.

Portanto, é fulcral enfrentar os problemas decorrentes da inércia estatal e da falta de eficácia na mídia. Para isso, o Governo Federal, responsável pela defesa dos interesses públicos, deve incentivar discussões sobre “menstruação” nos meios de comunicação - como Tv e rádio - e distribuir absorventes gratuitos nos postos de saúde para meninas de baixa renda. Tais medidas serão realizadas por meio de reuniões entre a Câmara dos Deputados e o Senado. O intuito será reduzir a pobreza menstrual e as desigualdades ocassionadas por ela na sociedade.