A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 11/11/2021
Na obra literário “Cidadania no Brasil: O longo Caminho”, o historiador José Murilo de Carvalho evidencia ao leitor o árduo processo da construção do indivíduo como membro do Estado, no qual o cidadão pleno é definido pela titularidade de seus direitos e deveres. Todavia, na sociedade pós-moderna, a persistência do racismo na sociedade brasileira demonstra um desvio dessa posse. Tal problemática possui, infelizmente, como potencializadores a letargia estatal e a apatia do tecido social, as quais devem ser mitigadas em prol do desenvolvimento social.
Nesse viés, é oportuno pontuar como a indiligente atuação governamental nos monitoramentos dos casos fomenta a propagação de injúrias pelo âmbito nacional. Sob essa ótica, apesar da Constituição Federal assegurar uma federação livre de discriminações, a ausência de políticas públicas satisfatórias vão de encontro com esse ordenamento jurídico. Dessa maneira essa deficiência no aparelho jurídico se torna patológica e como pontuado por Michel Foucault, o papel do Estado é maximizar o bem-estar do seu povo, logo, é primordial uma orientação jurisprudente que reverta o antagonismo do preconceito racial e altere o status quo.
Outrossim, é conveniente analisar como a conjuntura social se posiciona sobre a problemática, considerando os fatores sociais e históricos. Nesse sentido, em concordância com Pierre Bourdieu, sociólogo francês, as classes dominantes monopolizam as estruturas sociais para manipular e naturalizar suas ideologias, colocando as minorias sociais sobre um poder simbólico ao longo das épocas. Quanto isso, é válido exemplificar o período escravocrata brasileiro, o qual teve uma abolição, lamentavelmente, tardia e sem o devido amparo a população negra, o qual contribuiu para a resistência de estereótipos pejorativos na hodiernidade. Desse modo, o cidadão imerso nessa lógica tende a reproduzi-los até que uma ação desconstrua essa mentalidade racista.
Em suma, é necessários mecanismos que atenuam a prevalência do racismo na república federativa. Portanto, afim de estimular o debate sobre esse óbice, compete ao Ministério da Educação associado ao Ministério da Justiça desenvolver um Plano Nacional de Combate ao Racismo, sob a forma de Simpósios estaduais, direcionados à toda população, abordando temáticas sobre a violação de direitos, fatores socio-históricos, como realizar denúncias de discriminações e etc. Para que dessa forma os brasileiros possam gozar de seus direitos e serem cidadãos plenos como definido por José Murilo de Carvalho.