A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 25/09/2021

Sob o viés do “Darwinismo social”, vigente durante o Imperialismo, houve uma inferiorização étnica e racial dos povos não europeus, que culminou em uma marginalização social desses. Tal conjuntura corroborou medidas segregacionistas que priorizaram a população branca em detrimento da negra. Nesse viés, no Brasil, nota-se a persistência do racismo estrutural na sociedade, o que contribuiu com a precarização social e a desigualdade racial.

Assim, no filme “Histórias Cruzadas”, exibido na plataforma Telecine, tem-se a representação do preconceito racial ao evidenciar a vulnerabilidade da população negra, devido aos trabalhos de baixa remuneração e à restrita participação em cargos de poder. Por conseguinte, há a subrepresentação desses indivíduos nas novelas e nos filmes brasileiros, visto que prevalecem os estereótipos do negro como figura de submissão - por ser retratado, muitas vezes, como empregado, morador de periferia e pobre- e esse é preterido para ser o protagonista nas representações cinematográficas. Tal realidade é corolário de uma conjuntura histórica, na qual se utilizava de “black face”, em que um branco é pintado de preto como forma de se evitar a contratação de profissionais negros.

Ademais, o poema “Navio Negreiro”, do escritor Castro Alves, buscou evidenciar a desumanidade da escravidão no Brasil e incentivar a luta abolicionista e a inserção da população negra na sociedade. Contudo, com a abolição do regime escravocrata, houve a valorização da imigração européia, em uma tentativa de “branqueamento” da população, e a marginalização dos negros, o que culminou na segregação social e espacial desses e na ocupação de áreas periféricas. Outrossim, a população negra é a maioria no Brasil e lidera alguns índices negativos, como a maior ocupação carcerária e o menor grau de escolaridade, em comparação com a população branca, que possui os maiores salários e melhores cargos no mercado de trabalho, o que evidencia a desigualdade social e racial intrínseca ao território nacional.

Logo, é notória a persistência do racismo no Brasil. Dessa forma, faz-se necessária a atuação do Governo Federal, em conjunto com o Ministério da Educação e a Fundação Palmares, no combate à vulnerabilidade social e ao preconceito racial. Tais ações podem ser efetivadas por meio da extensão das cotas escolares destinadas à população negra, de forma que se permita a qualificação profissional dessa, e incentivo à participação dessa comunidade nos âmbitos sociais e virtuais, por intermédio de campanhas publicitárias e propagandas. Assim, haverá uma maior seguridade social e o combate ao racismo estrutural no Brasil.