A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 25/09/2021
São Tomás de Aquino defende que as pessoas precisam ser tratadas com a mesma importância. Porém, a persistência do racismo na sociedade brasileira contraria o ponto de vista do autor, uma vez que, no Brasil, esse grupo continua sendo vítima de discriminação, devido ao racismo estrutural produto de uma contrução histórico-social escravocata. Nessa pespectiva, torna-se evidente que a concretude desse problema vem em virtude do legado histórico presente na questão e pela lenta mudança na mentalidade social.
Convém ressaltar, a princípio, que eventos históricos ocorridos no país são um fator agravante para a situação atual. A esse respeito, o Brasil é um país construído com sangue negro, visto que a escravidão só foi encerrada com a Lei Áurea em 1888, sendo o último país da América Latina à abolir à escravatura. É notório, portanto, que a negligência com o povo negro está intrínseca à história de formação do país, dado que o processo abolicionista não acompanhou as necessidades de um povo recém livre, que foi marginalizado da sociedade e não encontrou amparo como cidadãos de direitos, ou seja, os resquícios deixados pela escravidão nunca foram superados, pois 78% dos pobres e 65% da população carcerária do Brasil é negra -segundo dados de 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - devido eles ainda serem esteriotipados como “raça inferior”.
Outrossim, a lenta mudança da mentalidade da sociedade é um fator determinante para a persistência do problema. Conforme o termo “Banalidade do Mal” de Hannah Arent, uma ação prejudicial feita repetidas vezes acaba se tornando comum para a sociedade. Nesse sentido, a continuidade de tais comportamentos discriminatórios e preconceituosos se perpetuam pela linha do tempo, em razão da normalização de atos injustificáveis, na medida em que a banalidade do mal opera nas relações sociais com a universalização de uma lógica benéfica apenas a indivíduos selecionados e considerados desde os primórdios como superiores, como as falas da modelo Dayane no reality “A Fazenda” - que as campanhas e revistas querem uma beleza mais elegante que a morena - demonstrando a permanência do olhar racista ainda presente na contemporaneidade.
É indubitável, portanto, que o racismo estrutural seja superado. Para esse fim, o Ministério da Educação em conjunto com as prefeituras, devem por meio do Plano Nacional da Educação, realizar a aplicação de conteúdos transdisciplinares em escolas, para crianças e adolescentes, bem como a formação de grupos de discussão em associações comunitárias e locais públicos para toda população, com a finalidade de usar a educação histórica e cultural para transpor os preconceitos presentes nas raízes do Brasil.