A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 09/09/2021

A Lei Áurea, sancionada pela princesa Isabel em maio de 1888, marcou o fim da escravidão no Brasil. Entretanto, o legado deixado por essa prática persiste até os dias atuais, influenciando na desigualdade social, exclusão, violência e principalmente no preconceito contra negros que se encontra enraizado na sociedade brasileira. Diante dessa perspectiva, a herança histórica e a carente abordagem do tema agravam a problemática.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar o legado histórico como um obstáculo. Sob esse viés, de acordo com o filósofo Nicolau Maquiavel, “os preconceitos têm mais raízes do que princípios”, essa frase permite uma reflexão acerca do pensamento intolerante que permanece sendo cultivado desde da antiguidade. Nessa lógica, o racismo é estabelecido nas estruturas da sociedade e herdado da escravidão, sendo dessa maneira, mais uma barreira que torna a realidade mais desigual e dificulta o acesso igualitário a oportunidades. Desse modo, o racismo é uma ferramente excludente e segregadora, que sujeita as vítimas a quadros depressivos, a ansiedade e ao sentimento de culpa e insuficiência. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Ademais, é fundamental apontar a escassa discussão em relação à temática como impulsionador da questão. Nesse âmbito, conforme o médico Drauzio Varella, em seu artigo “violência epidêmica”, afirma que as crianças são o reflexo dos adultos e o seu desenvolvimento físico e psicológico ocorre por imitação. Nesse sentido, a inexistência de um debate acerca do racismo torna essa discriminação naturalizada e banalizada, além de prejudicar a resolução desse problema. Portanto, a expansão desse assunto para as escolas é de suma importância para a formação de indivíduos menos ignorantes e preconceituosos, contudo dados do questionário do Censo Escolar de 2015, apontam que discutir o racismo não faz parte de projetos temáticos em 24% das escolas públicas do Brasil.

Dessa forma, medidas são necessárias para combater esse impasse. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, em parcerias com as mídias, realizarem a elaboração de uma campanha publicitária, por meio de anúncios transmitidos nos canais de televisão e mídias sociais, com o objetivo de explicar o legado histórico, como afeta as vítimas e como se caracteriza o preconceito contra negros, além de estender essa discussão para as escolas através de palestras e projetos, a fim de diminuir a persistência do racismo na sociedade brasileira. Assim, espera-se a construção de uma sociedade mais abrangente e igualitária.