A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 29/08/2021
A teórica política alemã Hannah Arendt utiliza a expressão “Banalidade do Mal” para traduzir o formato trivial da instalação de problemáticas em sociedades contemporâneas. Essa perspectiva simboliza o comportamento da sociedade diante dos problemas relacionados a discriminação racial, já que é justamente a habitualidade frente a intolerância que agrava e aprofunda o corpo social brasileiro. Assim, tem-se a Colonização do Brasil pelos portugueses como origem deste quadro negativo. Nesse sentido, entre os fatores que aprofundam essa situação, estão o racismo estrutural e a desigualdade racial.
Sob esse viés, a persistência do racismo estrutural simboliza a perpetuação da mentalidade retrógrada do brasileiro. Segundo Pierre Bourdieu, em sua teoria “Habitus”, toda sociedade incorpora os padrões sociais impostos e os reproduzem ao longo de gerações. Certamente, no Brasil colônia, os portugueses anularam os valores culturais dos ameríndios e africanos escravizados com a ideia de serem superiores, um ideal que permanece enraizado na sociedade ao longo do tempo. Desse modo, a comunidade brasileira incorporou e naturalizou inferiorizar o outro pela sua cor ou cultura.
Visto disso, a intolerância racial é agravada pela cruel desigualdade racial. Segundo o teórico político Jean-Jacques Rousseau, a desiguldade é a fonte primária de todos os males sociais e a origem primordial dos problemas da sociedade. Consequentemente, é perceptível que as políticas públicas de inclusão falham desde a abolição da escravatura, em 1888, com a lei Áurea em contraposição ao “branqueamento” da nação brasileira, um episódio marcado pela eugenia. Da mesma forma, é notório com o racismo institucional, em que existe grande concentração de renda nas mãos dos brancos, mesmo com 63% da população autodeclarados negros ou pardos de acordo com os dados do IBGE.
Mediante o exposto, percebe-se o descaso do Governo para combater a raiz da intolerência racial. Sendo assim, o Ministério da Educação, em parceria com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, devem desenvolver um projeto em combate ao racismo. A iniciativa deve ocorrer por meio da adição de uma disciplina sobre sobre a história e a cultura afro-brasileira na Base Nacional Comum Curricular, para que os jovens do futuro e suas próximas gerações não transformem as diferenças étnicas em diferenças sociais. Espera-se, que com essa medida, a mentalidade retrógrada adquirida por gerações passadas seja combatida.