A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 01/09/2020

O brasileiro é conhecido por sua capacidade de resolver conflitos de forma criativa e improvisada, caracterizando o “jeitinho” presente na rotina de muitos cidadãos, porém tal prática possui malefícios que afetam o país de forma negativa. Enraizado em nossa cultura desde a época colonial, sua utilização alegava adaptação, demonstrado pelo povo tupiniquim e suas habilidades de sobressaírem condições pouco favoráveis. Entretanto, com o passar dos anos sua prática tornou-se corrupta para realizar atitudes de fins egoístas, muitas vezes prejudicando outro indivíduo e causando uma ruptura na sociedade e maculando a imagem do país.

O sociólogo Max Weber caracteriza tal feito como “patrimonialismo”, relação presente entre os indígenas e colonizadores e que se alastra até atualmente, onde quem está no poder depende de pessoas abaixo, enganando-as por meios como a lábia para ganhar o que quer. Atualmente pode-se perceber que meios carismáticos usados para manipulação são elogiados, pois auxiliam no alcance de objetivos de forma discreta e em vários casos ilegal, porém rápido. O personagem “Zé Carioca”, criado por Walt Disney, retrata bem o uso do “jeitinho”, pois ele usa a “malandragem” para sair de várias encrencas em diversos episódios, contribuindo de certa forma com a denegrição da reputação brasileira.

Porém o jeitinho brasileiro não possui somente qualidades negativas, pois habilidades e ideias para lidar com situações difíceis e até mesmo impossíveis constituem uma estratégia de sobrevivência social para muitos, se o alarmante atual cenário político e econômico do Brasil for levado em consideração. Portanto, há uma complexidade presente no “jeitinho” impossível de colocá-la somente como uma alternativa boa ou ruim, já que pode ser utilizado em ambos os casos. Uma pessoa que se encontra em uma comunidade de classe baixa pode aplicar o engenho para fins positivos, enquanto um político pode usá-la para finalidades duvidosas, tudo depende do caráter do indivíduo.

Visto que o “jeitinho” permanece parte do cotidiano brasileiro, é possível o começo de mudanças sobre seu uso. Portanto, é necessário as instituições de ensino e a família aprimorem a ética e moral de crianças e jovens, formando cidadãos morais e éticos, que usem de métodos honestos para resolver seus conflitos. Também é necessário justiça e direitos a todos, lutando contra atos de corrupção e aplicando punições para os mesmos, principalmente em direção aqueles que fazem uso de seus privilégios de maneiras corruptas. Assim, haverá a alteração na moral de gerações futuras para uma sociedade mais justa, portanto seguindo a frase de Gandhi, “Temos de nos tornar na mudança que queremos ver”.