A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 01/09/2020
Segundo Montesquieu, pensador iluminista, o governo ideal contaria com a divisão dos poderes em Executivo, Legislativo e Judiciário, que se controlariam mutuamente, combatendo os abusos de autoridade e práticas inconstitucionais. No entanto, apesar deste sistema de governo estar em vigor no Brasil, ainda são observadas inúmeras práticas corruptas, que comprometem a administração e o desenvolvimento plenos da sociedade. Tal aspecto está exposto no Índice de Percepção de Corrupção (IPC). O Brasil é avaliado com 42 pontos, sendo que 100 representa o menor índice corruptivo. Em contrapartida à corrupção, o país cresce economicamente, mostrando que enfrenta dificuldades em aliar tal crescimento com investimentos para a amenização dos problemas sociais. Muito disso devido aos constantes desvios de verbas por parte da elite.
Diante de tal situação, a população brasileira, através dos protestos de junho do ano passado, reivindicou reformas políticas que, dentre outros objetivos, visam o combate à corrupção. Mas para tanto, não bastam ações momentâneas. É necessária a fiscalização e cobrança permanente dos cidadãos em relação ao Governo, além do exercício consciente de seu direito ao voto.
Além disso, alianças internacionais, como a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, são essenciais para a obtenção de resultados efetivos. Assim, cada país colocaria em prática medidas enérgicas de prevenção e combate à corrupção, ignorando privilégios de poderosos – tanto pertencentes ao setor público ou privado - e aplicando punições exemplo aos transgressores da ordem.
Com tal perspectiva, o poder público poderia exercer seu dever de administrar a sociedade sob o olhar atento de seus governados. E assim como proposto por Montesquieu, combater-se-ia os desmandos e extravagâncias dos líderes da nação, evoluindo-se do ponto de vista moral e também social.