A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 31/08/2020
O jeitinho é sempre uma forma “especial” de se resolver algum problema, uma situação difícil ou proibida, muito conhecido no Brasil para dar nome a atos corruptos como furar a fila, colar na prova, sonegar impostos, desviar dinheiro e pirataria. Dos atos mais simples aos mais complexos deixam evidente a cultura da corrupção em nosso país, que contribui facilmente para a manutenção de um sistema desonesto, egoísta e desigual. Nesse sentido, a música “Que país é esse” de autoria de Renato Russo, evidencia o desejo da nação em ter um futuro melhor, porém muitos não são obedientes no cumprimento das leis, quando mencionado no trecho “ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”.
Em primeira instância, conforme o economista comportamental Dan Ariely, professor da Universidade Duke, nos Estados Unidos afirmou em uma entrevista para a revista Folha que a tendência à desonestidade e a corrupção depende menos do que está na lei e mais do que, no dia a dia, se percebe o que é certo ou errado observando o comportamento dos outros. Desse modo, podemos observar que quanto mais comportamentos nocivos se tornam normais, mais pessoas se tornam corruptas, criando um ciclo vicioso geração pós geração. Além disso, é possível perceber que a desonestidade é algo que é muito ligada a política, porém os governantes são um reflexo da sociedade, haja vista que as ações desonestas são frutos de posturas erradas que foram banalizadas se tornando parte da cultura.
Ademais, a educação tem papel fundamental para reduzir comportamentos corrompidos. Em vista disso, pode ser considerada a frase dita por Immanuel Kant, “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”, portanto se houve alguma coisa que desencadeou esse o pensamento corruptível foi a ineficiência do sistema educacional em produzir uma mentalidade ética e respeitosa. Porém, de nada vale a escola tentar construir uma ética no discente, se a base familiar dele for desonesta, haja vista que a família tem um papel importante na formação do indivíduo.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o MEC juntamente com o Ministério da Cultura deve desenvolver palestras didáticas em escolas voltadas para o ensino fundamental, por meio de entrevistas com testemunhas do problema, bem como especialistas no assunto. Tais palestras devem ser web conferenciadas nas redes sociais dos ministérios, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre o jeitinho brasileiro e atingir um público maior. Por fim, poder-se-á valer a máxima de Martin Luther King, “sempre é hora de fazer o que é certo”.