A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 01/09/2020

A expressão popular “jeitinho brasileiro” é bastante antiga, geralmente era usada para se referir a habilidade e criatividade do povo brasileiro de improvisar e se reinventar diante das dificuldades. No mundo hodierno, esse termo têm ganhado uma conotação negativa por se caracterizar pela “malandragem” e ações moralmente desonestas a fim de tirar vantagem de uma situação. Embora essa perspectiva permaneça no senso comum, com a naturalização desse modo de agir e pensar, é perceptível os males que causam na sociedade, desde ações individuais à institucionais. Assim, é necessário combater essa estrutura social que perpetua à corrupção nos mais variados âmbitos.

Na obra “Memórias de um Sargento de Milícias”, de Manuel Antônio de Almeida, o personagem principal, Leonardo, representa o típico “malandro” em seu esforço de sobreviver à margem das instituições sociais. Apesar de ser uma obra ficcional, os comportamentos descritos são perceptíveis ordinariamente em nossa sociedade. Muitos dos que são marginalizados pela sociedade, recorreram à criatividade e habilidades para enfrentar a pobreza e as dificuldades da vida. Entretanto, essas expressões do “jeitinho brasileiro” também são vistas de ações individuais até institucionais, como furar filas, colar nas provas, sonegar impostos e desviar dinheiro público. Essa prática permeia todas as classes socias e faixas etárias, isso ocorre, segundo o polímata Ruy Barbosa, porque “ de tanto ver crescer a injustiça, o homem chega a ter vergonha de ser honesto". Assim, a naturalização e a unanimidade desse comportamento contribui para a persistência do “jeitinho” em nossa sociedade.

Em segunda análise, é cabível ressaltar que a corrupção atinge o Brasil desde a colonização pelos portugueses, por meio da exploração de povos em busca de vantagem econômica. O reflexo desse legado histórico-cultural é visto nos inúmeros casos de políticos envolvidos com esquemas de corrupção, resultando em operações federais como o Mensalão e a Lava Jato. Assim, é inegável como as ações individuais desonestas podem provocam efeitos nocivos para todos, isto é comprovado pelos dados da revista Science, em que o Brasil é o 14° país mais desonesto do mundo. Desse modo, o “jeitinho brasileiro” paralelo à corrupção é resultado da banalização e de raízes históricas de infração.

Diante dos argumentos supracitados, medidas são necessárias para resolver esse impasse. O Governo Federal através do Ministério da Educação deve coibir as instituições de ensino a realizar debates e palestras a cerca da Identidade nacional e o combate à ações desonestas, a fim de conscientizar os jovens. E juntamente com os meios de comunicação, deve elaborar campanhas midiáticas que demonstrem como nossas ações individuais impactam a vida de todos. Assim, o “jeitinho brasileiro” e seus efeitos nocivos poderão ser combatidos, a favor de uma sociedade igualitária.