A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 16/08/2020

Promulgada em 1824, a constituição brasileira vigente no período Imperial garantia a Dom Pedro II, o “Poder Moderador” que baseava-se em privilegiar o imperador sobre os demais governantes. Analogamente, a cultura do “Jeitinho Brasileiro” consiste em levar vantagem acerca de procedimentos e relações sociais. Não só a ausência de acatamento a hierarquia política, mas também as relações de simpatia intensificam essa conjuntura.

Nesse contexto, pode-se citar o termo “Homem Cordial” presente na obra “Raízes do Brasil” do sociólogo brasileiro Sérgio Buarque de Holanda, que verbaliza a situação extremamente confusa entre os vínculos públicos e pessoais na sociedade brasileira. Devido as relações cordiais, ou seja, baseadas em trocas e sem embasamento racional, os indivíduos tendem a negligenciar a impessoalidade, como por exemplo o “voto cabresto”, no período chamado de coronelismo, já que o voto era uma maneira de permutação por proteção, moradia ou alimento.

É importante ressaltar que o resultado positivo ligado à essas ações gera a perpetuação das mesmas e a quebra dos padrões de conduta formal. Logo, a falta de punições relacionadas à postura dos brasileiros normaliza a sua ocorrência, tornando-a conhecida internacionalmente. Com isso, fica clara a fama exterior dos brasileiros de serem receptivos e cordiais quando na verdade esse comportamento está atrelado as associações diplomáticas nacionais com bases coloniais. Além disso, cria-se um contexto de flexibilização das leis e de desrespeito ás autoridades, como por exemplo a prática de suborno.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de conciliar de forma saudável os efeitos do “Jeitinho Brasileiro”. Cabe ao Senado criar um conjunto de leis que endureçam a fiscalização das relações politico-social com intuito de mitigar a atuação cordial e tendenciosa. Outrossim, cabe as mídias de comunicação, como canais de televisão e redes sociais criar campanhas de conscientização que informem a população dos impactos causados tentativa de burlar o sistema formal. Assim regalias como o “Poder Moderador” deixarão de acontecer criando um Brasil mais igualitário.