A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 13/08/2020
O “jeitinho” brasileiro é o termo cunhado para designar-se ao modo como a maioria do povo brasileiro resolve os problemas do cotidiano, a saber, de maneira criativa, sem se limitar à normas. Apesar de parecer positivo, esse modo de agir remete a antigos problemas da realidade brasileira, a título de exemplo, a corrupção. A persistência dessa ideologia, embora prejudicial, se constata, principalmente, em função da adoção desse comportamento como inerte ao brasileiro e da permissividade dos órgãos fiscalizadores.
Primordialmente, infere-se que esse “jeitinho”, na visão de Sérgio Buarque de Holanda, herdado dos portugueses, já encontra-se difundido na sociedade. De acordo com senso realizado pelo Índice de Percepção do Cumprimento de Leis, 79% dos brasileiros concordam que, sempre que possível, as pessoas se utilizam desse agir “despreocupado”. Desta maneira, como já comprovado por Dan Ariely, autor de A Mais Pura Verdade Sobre a Desnestidade, o agir “anormativamente” se perpetua, já que a sociedade serve de exemplo para o indivíduo.
Ademais, órgãos que deveriam fiscalizar práticas desonestas, por também serem compostos por indivíduos imersos nessa realidade “jeitosa”, se tornam mais permissivos para com atitudes ilegais. Tal realidade tem como consequência os resultados constatados pelo Índice de Percepção da Corrupção, que coloca o Brasil como um dos 50 países mais corruptos do mundo.
Conclusivamente, é mister que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual. Para que a conhecido “jeitinho” do povo brasileiro seja controlado urge que o Ministério da Justiça, aliado a grande imprensa desenvolvam campanhas a favor do aumento da honestidade e que demonstrem ao povo brasileiro as consequências positivas que essa grande mudança ideológica traria a realidade brasileira.