A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 01/08/2020
Furar uma fila. Pegar emprestado e não devolver. Essas são as práticas que definem o ‘‘jeitinho’’ brasileiro de conduzir seus problemas. A partir disso, houve uma ampliação dessa conduta em que a naturalização desses atos ‘‘menores’’ e, a falta de educação que iniba esse pensamento, são fatores que corroboram essa mentalidade. Por isso, é claro o círculo vicioso instaurado na sociedade em uma situação que ninguém cumpre os deveres.
Primeiramente, é claro o papel da educação em moldar a conduta dos indivíduos. Mas, o que se percebe é a distanciamento dessas questões na esfera pública. Isso resulta em uma mentalidade de que se o erro for ‘‘simples’’ pode ser perpetuado e, para uma criança que não tem instrução, isso se torna comum ao longo da idade e, na fase adulta, perpassa esses valores às próximas gerações. Assim, não é diferente no Brasil pois, os escândalos de corrupção na Petrobrás é só o desenrolar de uma postura de séculos passados que continuará se medidas não forem tomadas.
Além disso, apesar dos casos de corrupção, não há uma busca incisiva para punir essas fraudes. Isso ocorre porque há uma banalização desses atos que, por serem frequentes, não há uma expectativa de mudança em razão do enraizamento dessas práticas na sociedade, que gera a descrença no sistema político. Prova disso, é visto em pesquisas de jornais televisivos a recusa da população em escolher um candidato nas eleições, por causa da ideia que os políticos têm o ‘‘jeitinho’’ brasileiro que o leva para o lado corrupto. Desse modo, a continuidade desses processos deve ser evitada.
Portanto, urge a necessidade de rever o conceito de ‘‘jeitinho’’ brasileiro que estereotipa a população. A escola em conjunto com os pais devem, em uma ação conjunta, impedir que as crianças se apeguem a esse hábito. Isso pode ser feito por meio de aulas de ética e moral que venham à apontar os erros cometidos no passado e que não devem ser reproduzidos no agora para, a partir disso, quebrar o enraizamento dessa cultura nesse país. Somente assim, com políticas que invertam as condutas dos mais jovens, teria-se uma educação justa e quebraria com o círculo vicioso da sociedade.