A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 27/07/2020

No livro Raízes do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda expõe a cordialidade presente nos brasileiros como a principal indutora para a quebra de regras. Na prática, ao se observar o Brasil, percebe-se a persistência dessa cordialidade e consequentemente do jeitinho brasileiro, que tem como fomentador o mau exemplo dos políticos e a impunidade com aqueles que o praticam.

Em primeiro lugar, é válido elucidar a importância dos políticos para a sociedade. Nesse sentido, por se tratarem de figuras as quais têm grande visibilidade, as atitudes tomadas por eles chegam a toda a população e acaba por influenciá-la. Assim, devido às ações serem constantemente copiadas pelos membros da sociedade, segundo Weber, as más atitudes-como o burlamento de leis- motiva a população a também praticá-las e  isso contribui para a persistência do jeitinho brasileiro.

Outrossim, a impunidade com os praticantes do jeitinho também coopera para a manutenção desse ato. Nesse contexto, as pessoas defraudadoras de regras e leis percebem a ausência de ações punitivas e sentem-se encorajados a continuarem com as mesmas atitudes. Posto isso, a recorrência dessas condutas e a falta de interesse em acabar com elas corrobora para a confirmação da teoria da Banalidade do Mal de Hannah Arendt, a qual mostra o mal se tornando comum por ser rotineiro, por ser isso o observado na situação.

Infere-se, portanto, que o jeitinho afeta diretamente a vida de toda a  população brasileira. Logo, cabe à população acompanhar a atuação dos políticos e caso percebam a presença de corrupção, não permitir a volta deles ao poder, por meio do voto consciente em pessoas com ficha limpa, a fim de diminuir a presença dessas figuras como representante do povo. Ademais, urge ao Ministério da Justiça investigar ações ilícitas, por intermédio dos policiais em cada cidade, com o intuito de acabar com a impunidade dessas pessoas.